
O ministro Luís Roberto Barroso anunciou, nesta quinta-feira, 9 de outubro de 2025, aquilo que muitos já sabiam, poucos duvidavam e um ou outro fingia ignorar: sua aposentadoria antecipada do Supremo Tribunal Federal.
Mas o que realmente chama a atenção não é o fato em si — e sim os motivos alegados. Afinal, por que um homem que poderia permanecer mais oito anos na cadeira mais cobiçada da Justiça brasileira resolve, subitamente, abandonar o barco? Teria sido o cansaço? A iluminação espiritual? Ou o temor da temida Lei Magnitsky Global, que já ronda nomes de peso dentro da Corte, como Alexandre de Moraes e, dizem, até Cármen Lúcia?
Não faltam teorias. E há quem diga que, fora do STF, Barroso busca algo que o tribunal jamais lhe ofereceu: imunidade internacional.
Com sua saída, Lula comemora em silêncio. Afinal, ganha o direito de nomear mais um “fiel escudeiro” — alguém de confiança, de preferência amigo pessoal, obediente e de “fé política” inabalável. No Planalto, já há apostas. E os mais céticos dizem: o próximo ministro será “tão supremo quanto humano não deveria ser”.
Barroso, claro, faz questão de sair pela porta da frente. Anunciou que vai se dedicar a “espiritualidade, literatura e poesia”, como se o tribunal que comandou nos últimos anos não tivesse sido ele mesmo um espetáculo poético — cheio de metáforas, dramas e monólogos.
“Sinto que agora é hora de seguir outros rumos”, disse ele, com o tom sereno de quem encerra uma peça teatral.
O ministro deixa o cargo aos 67 anos, quando poderia seguir até os 75, como prevê a Constituição. E não deixa apenas uma cadeira vaga — deixa um rastro de polêmicas, decisões contestadas e uma corte cada vez mais vista como um poder acima dos demais.
Barroso foi o homem das teses audaciosas, o juiz da retórica elegante, o ministro que acreditava ser possível “mudar o mundo” por meio das togas. O problema é que, nesse caminho, a toga virou manto e o Supremo, muitas vezes, se confundiu com o próprio país.
O discurso de despedida, cheio de emoção e autoconfiança, foi típico do estilo Barroso:
“Não carrego arrependimentos. Não foram tempos banais”.
De fato, não foram. O Brasil viveu momentos de tensão institucional inéditos, e o STF se transformou em palco de embates políticos, ideológicos e pessoais. Barroso foi protagonista de muitos deles.
Agora, longe das câmeras, talvez encontre tempo para as poesias que antes declamava em votos e entrevistas. Mas há quem diga que, por trás da serenidade do discurso, há algo mais: o pressentimento de que tempos duros se aproximam, inclusive para quem julgava estar acima do julgamento dos homens.
O Supremo perde um ministro, Lula ganha uma cadeira — e o povo, mais uma vez, observa de longe, pagando a conta e esperando o próximo capítulo desse teatro da República.
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