
A CPMI do INSS, que investiga o maior golpe já praticado contra aposentados e pensionistas da história do Brasil, entrou em uma fase decisiva — e agora mira diretamente o “núcleo petista” suspeito de integrar a organização criminosa que saqueou bilhões de reais de benefícios sociais. Nos corredores do Congresso, cresce o pavor na base governista: o fio da meada começa a apontar para entidades e lideranças ligadas ao PT.
No centro da nova ofensiva está Edson Claro, ex-funcionário do temido “Careca do INSS”, considerado peça-chave no esquema. Disposto a “contar tudo”, Claro teria prometido revelar quem recebia propina em dinheiro vivo e como a engrenagem de corrupção se espalhou por dentro do sistema previdenciário, chegando a sindicatos e associações de trabalhadores controladas por aliados de Lula.
A reação petista foi imediata — e desesperada. Parlamentares ligados ao governo tentam impedir, adiar ou tumultuar o depoimento de Claro, que pode expor o elo direto entre o PT e o desvio bilionário de recursos. Nos bastidores da CPMI, o clima é de guerra. “Eles sabem que o depoimento pode implodir a narrativa da inocência”, confidenciou um deputado da oposição.
Um dos principais alvos é a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), uma das entidades mais antigas e influentes da base lulista. Durante anos, a Contag foi controlada politicamente pelo PT, abrigando lideranças que transitavam entre o sindicalismo e o poder. Sob a presidência de Aristides Veras, irmão do deputado Carlos Veras (PT/PE), a entidade é suspeita de ter retirado até R$ 3,7 bilhões de trabalhadores rurais aposentados, segundo relatórios financeiros obtidos pelo Coaf.
O esquema, segundo investigadores, operava com descontos indevidos nos benefícios, “taxas” sindicais fantasmas e convênios manipulados. Tudo isso, com a chancela de quem deveria proteger o trabalhador rural. A Contag, que por décadas discursou em nome dos mais pobres, agora é apontada como parte de uma estrutura que sugava o pouco que restava dos aposentados.
O relatório do Coaf, aguardado pela CPMI, promete detalhar movimentações financeiras incompatíveis com as rendas declaradas de dirigentes da entidade. Aristides Veras, já convocado para depor, segue evitando a oitiva — o que só aumenta as suspeitas. Outro nome na linha de fogo é Thaisa Daiana, secretária-geral da Contag, que deve ser chamada a explicar como eram realizados os descontos ilegais e quem se beneficiava deles.
Enquanto o cerco se fecha, a base do governo intensifica o contra-ataque. Deputados do PT afirmam que há “perseguição política”, mas evitam explicar por que se opõem tanto à ida de testemunhas à CPMI. O que está em jogo, dizem fontes da oposição, é o temor de que a investigação atinja o coração financeiro do partido — o mesmo que sustentou campanhas e estruturas de poder nos últimos anos.
O ex-ministro Ciro Nogueira, que integra a CPMI, afirmou que “o maior inimigo da verdade é o medo de quem a conhece”. A frase, mais do que um recado, soou como um aviso: a CPMI está disposta a expor os bastidores de um sistema de corrupção montado com aparência de sindicalismo e disfarçado de política social.
O governo, por sua vez, tenta minimizar a crise. Integrantes do Planalto afirmam que o caso “não passa de disputa política”, mas nos bastidores reconhecem que o escândalo tem potencial para atingir figuras graúdas do petismo histórico. Afinal, a fraude no INSS não nasceu de improviso — foi alimentada por anos de aparelhamento, descuido e conivência institucional.
A CPMI do INSS caminha para um ponto de inflexão. O que se desenha é mais do que uma investigação sobre fraudes: é a radiografia de um sistema corroído pela impunidade e pela captura política de órgãos públicos. E, ao que tudo indica, o rastro do dinheiro leva direto ao coração do poder que sempre prometeu defender os pobres — mas que, desta vez, pode ter sido quem mais os roubou.
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