
Nunca antes na história política brasileira uma primeira-dama havia se tornado tão impopular quanto Rosângela Lula da Silva, a Janja. Segundo pesquisa PoderData realizada entre 27 e 29 de setembro de 2025, 61% dos eleitores que a conhecem a desaprovam — um aumento de 11 pontos em relação a junho e o maior índice desde maio de 2024. Trata-se de um recorde negativo que nem mesmo adversários históricos do petismo poderiam prever.
O mais impressionante? Janja não tem cargo oficial, não foi eleita, não presta contas a ninguém, mas se comporta como se tivesse assento cativo no Executivo. Sua rotina inclui viagens internacionais a mais de 35 países, algumas realizadas sozinha, sempre cercadas de pompa, flashes e muito dinheiro público. Para críticos, a primeira-dama parece acreditar que o mundo é seu palco particular, e que a conta — invariavelmente — será paga pelo contribuinte brasileiro.
Enquanto o presidente Lula amarga índices baixos de aprovação, Janja se transformou em um personagem ainda mais incômodo. Sua postura expansiva, seus comentários de efeito e seu gosto por agendas internacionais reforçam a sensação de que o Palácio da Alvorada se tornou uma bolha distante da vida real do brasileiro comum. Na ponta da língua dos críticos, fica a pergunta: quem governa, Lula ou Janja?
Entre os episódios que mais repercutiram está sua reação às medidas tarifárias dos Estados Unidos. Janja, sem cerimônia, compartilhou uma nota do governo e escreveu: “Nunca seremos Brazil”. Uma frase de efeito, repleta de indignação performática, mas sem resultado concreto algum para a economia nacional. O comentário virou piada e, de quebra, reforçou a percepção de que ela fala demais e age de menos.
Não é apenas no exterior que a presença de Janja gera desconforto. Dentro do próprio Palácio da Alvorada, circulam informações de que ela controla ligações recebidas pelo presidente, interferindo no fluxo de contatos e acessos. Críticos chamam isso de “primeira-dama controladora”. Seus defensores dizem que se trata apenas de cuidado com o marido. Mas o fato é: ninguém votou em Janja para ser filtro do chefe de Estado.
A pesquisa mostra que apenas 23% dos entrevistados aprovam sua atuação, enquanto 16% não souberam responder, revelando a dificuldade do eleitorado em compreender o que exatamente faz a primeira-dama além de viajar e aparecer. Em outras palavras: não se sabe qual é o trabalho dela, mas já se sabe que custa caro.
A ascensão meteórica de Janja no noticiário, somada ao seu estilo extravagante, expõe um lado perdulário que contrasta com a realidade dura do país. O brasileiro que enfrenta inflação, desemprego e violência olha para os jornais e vê a primeira-dama embarcando para mais uma viagem oficial, cercada de holofotes e com diárias generosas bancadas pelo erário. É a versão moderna do “deixa o povo comer brioches”, só que com passaporte carimbado.
Não à toa, sua imagem vem sendo associada a um governo que gasta demais e entrega de menos. Para a oposição, Janja virou um “símbolo de desperdício”; para aliados, tornou-se um fardo difícil de defender. Lula, por sua vez, parece dividido entre o papel de marido apaixonado que a exibe como parceira inseparável e o de governante que precisa lidar com uma rejeição que respinga diretamente em sua própria popularidade.
A pesquisa, que ouviu 2.500 pessoas em 178 municípios, com margem de erro de 2 pontos percentuais e 95% de confiança, deixa claro: a paciência do eleitor tem limite. Gastar sem transparência, viajar sem necessidade e interferir em decisões de governo são práticas que desgastam não apenas a imagem de Janja, mas também a do próprio presidente.
No fim das contas, Janja se tornou protagonista de uma história que deveria ser coadjuvante. Mais do que primeira-dama, ela virou um fenômeno político controverso: sem mandato, mas com influência; sem cargo, mas com poder; sem transparência, mas com muitos gastos. E, agora, com um recorde histórico: a primeira-dama mais rejeitada que o Brasil já conheceu.
EMENDA PARLAMENTAR Motta reage a Dino e acusa STF de criminalizar a atividade política
DIREITOS HUMANOS Governo Rafael Fonteles quer ensinar a polícia a ser polícia?
ELEITORADO FEMININO Flávio Bolsonaro reforça campanha com ex-presidente da Caixa e aposta no eleitorado feminino Mín. 20° Máx. 38°