
As recentes pesquisas de opinião trouxeram um duro recado ao Palácio do Planalto. Segundo levantamento do PoderData, 51% dos brasileiros desaprovam o governo Lula (PT). O dado contrasta com o cenário favorável que o presidente construiu em sua volta ao poder: caneta na mão, orçamento generoso para emendas, apoio irrestrito da mídia tradicional e blindagem do STF.
Mesmo assim, o petista amarga números que revelam um crescente desgaste político. A avaliação negativa — 43% consideram seu governo “ruim” ou “péssimo” — evidencia a dificuldade em transformar o discurso em resultados. A promessa de reconstrução nacional ainda não se materializou, e o custo de vida elevado pesa diretamente no humor da população.
Na oposição, o clima é de celebração. Pesquisas assim reforçam a confiança em uma virada eleitoral para 2026. O principal beneficiado até aqui tem sido Tarcísio de Freitas (Republicanos), governador de São Paulo, frequentemente lembrado como o nome mais competitivo contra o PT. Aliados apostam que, se o ritmo de queda de Lula continuar, Tarcísio terá terreno fértil para se consolidar.
Enquanto isso, o governo tenta preservar apoio político com uma velha estratégia: distribuição de cargos e estatais. PDT e PSB avançam sobre espaços deixados por União Brasil e Progressistas. A Codevasf, a Caixa Econômica Federal e a CBTU estão entre os postos mais cobiçados, com orçamentos bilionários e influência em redutos eleitorais.
Essa “dança das cadeiras” no segundo escalão, no entanto, não garante tranquilidade ao presidente. A disputa interna por cargos revela fragilidade na coalizão governista, que depende de alianças instáveis para sobreviver no Congresso. A consequência é a constante pressão por mais espaço político em troca de votos.
Outro fator que chama atenção é a comparação internacional. Nos EUA, pesquisas também registram índices altos de reprovação — como a política migratória de Donald Trump. A diferença é que, mesmo com rejeição, Trump conseguiu usar pautas de soberania para segurar sua base, algo que Lula tenta imitar sem o mesmo sucesso.
No cenário doméstico, o presidente ainda enfrenta ruídos provocados pelo loteamento de ministérios e a briga de partidos aliados por mais influência. O PSB, por exemplo, cobra compensações após perder o controle do Banco do Nordeste. Já o PT, mesmo com a Sudene, permanece insatisfeito diante do apetite dos parceiros de coalizão.
O maior risco para Lula é a cristalização da percepção de que seu governo “não entrega”. Sem avanços concretos em economia, segurança e serviços básicos, cresce o sentimento de frustração. O uso do dinheiro público em viagens e propaganda não tem surtido efeito, e o discurso contra adversários não mobiliza mais como no passado.
Em resumo, o governo Lula 3 atravessa uma fase de desgaste precoce, com sinais de esgotamento político. Enquanto o Planalto busca estratégias para recuperar apoio, a oposição comemora, vislumbrando uma oportunidade histórica para encerrar a hegemonia petista nas urnas. Se os números se mantiverem, 2026 pode marcar uma das eleições mais disputadas da história recente.
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