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Teresina, PI

Justiça COM UM PÉ NA RUA

Namorado da vereadora Tatiana Medeiros pode ser solto após decisão do TJ/PI

Justiça invalida provas e processo contra Alandilson Passos e outros réus pode ruir

02/10/2025 às 12h57 Atualizada em 02/10/2025 às 13h05
Por: Douglas Ferreira
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Alandílson Passos pode se beneficiar com a decisão do TJ/PI e ser solto - Foto: Reprodução
Alandílson Passos pode se beneficiar com a decisão do TJ/PI e ser solto - Foto: Reprodução

O destino judicial de Alandilson Passos, namorado da vereadora de Teresina Tatiana Medeiros (PL), pode mudar radicalmente nos próximos dias. Preso desde março de 2025 em Minas Gerais e apontado pela Polícia Federal como integrante de uma facção criminosa, Alandilson viu o processo que o mantém atrás das grades sofrer um golpe decisivo: o Tribunal de Justiça do Piauí (TJ-PI) declarou ilícitas as provas centrais da acusação, abrindo caminho para sua libertação.

A decisão da corte piauiense invalidou o Relatório de Inteligência Financeira (RIF) que embasava as denúncias do Ministério Público Estadual. O entendimento dos desembargadores é que o documento foi obtido de forma ilegal, sem a devida autorização judicial, o que comprometeu toda a investigação. Pela chamada “teoria dos frutos da árvore envenenada”, qualquer prova derivada desse relatório também perde a validade.

Com a exclusão do material, 17 réus, incluindo Alandilson, podem ser beneficiados. Sem as evidências do RIF, caberá ao Ministério Público apresentar novas provas autônomas para sustentar a denúncia. Caso contrário, a ação penal pode ser extinta antes mesmo do julgamento, resultando na soltura de todos os acusados. Fontes ligadas à Secretaria de Justiça confirmam que as audiências de instrução e julgamento, que ocorreriam esta semana, foram canceladas.

Alandilson Passos foi preso em Minas Gerais sob suspeita de comandar operações financeiras de uma facção criminosa, atuando como elo entre o grupo e a campanha eleitoral de sua companheira, a vereadora Tatiana Medeiros. Em junho, já custodiado, ele foi incluído no Regime Disciplinar Diferenciado (RDD) após ser flagrado mantendo contato telefônico com a parlamentar, o que reforçou a imagem de sua influência mesmo atrás das grades.

Tatiana Medeiros, por sua vez, também enfrenta acusações pesadas. A Polícia Federal aponta que sua campanha à Câmara Municipal de Teresina, em 2024, teria sido financiada com dinheiro oriundo da facção. Presa preventivamente em abril, a vereadora cumpre atualmente prisão domiciliar, sob alegação de problemas de saúde. Contra ela, corre ainda um processo por corrupção eleitoral e compra de votos.

O caso expõe a fragilidade das investigações no Piauí, onde operações de impacto acabam ruindo diante da incapacidade de sustentar provas juridicamente válidas. Se não apresentar novos elementos, o Ministério Público corre o risco de assistir à queda de um processo emblemático contra o crime organizado e ver nas ruas um dos principais alvos da operação: Alandilson Passos, o homem que, mesmo preso, continuava ditando os rumos políticos de Teresina ao lado da vereadora Tatiana Medeiros.

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