
Nesta segunda-feira (29), o Supremo Tribunal Federal inicia um novo ciclo com a posse de Luiz Edson Fachin como presidente e de Alexandre de Moraes como vice. O mandato de dois anos se inicia em um dos momentos mais delicados da história recente da Corte, marcada por críticas à atuação política de ministros, desgaste de imagem junto à sociedade e embates constantes com outros poderes. A grande pergunta é: Fachin conseguirá reduzir a temperatura da crise ou será apenas mais um capítulo no protagonismo exacerbado do Judiciário?
Fachin, de perfil acadêmico e menos midiático que antecessores como Luiz Fux e Luís Roberto Barroso, chega ao comando do STF com a expectativa de trazer mais sobriedade às sessões e menos declarações polêmicas. Sua trajetória como professor, pesquisador internacional e relator de processos de grande impacto, como a Lava Jato e o marco temporal indígena, dá a ele credenciais de seriedade e rigor técnico. Mas os críticos lembram que, mesmo discreto, Fachin não deixou de tomar decisões de alto impacto político, como quando validou medidas polêmicas em investigações da Operação Lava Jato.
A posse ocorre em clima de apreensão. De um lado, o Supremo enfrenta acusações de “ativismo judicial” e “ditadura da toga”; de outro, setores políticos e empresariais veem a Corte como um pilar para conter retrocessos e garantir estabilidade institucional. Fachin já sinalizou que pretende priorizar o diálogo, mas também reforçou que não abrirá mão da defesa da democracia e do Estado de Direito — discurso que, embora institucional, acena para o enfrentamento direto a quem questiona decisões da Corte.
O ponto mais sensível da nova gestão será, sem dúvida, a presença de Alexandre de Moraes na vice-presidência. Figura central em processos contra militantes, jornalistas e políticos acusados de atacar o Judiciário, Moraes é visto como linha-dura e alvo constante de polarização. Para uns, sua presença garante firmeza e continuidade no combate à desinformação; para outros, reforça a face autoritária do Supremo. A parceria Fachin-Moraes pode significar equilíbrio técnico com rigidez política — combinação que desperta cautela em Brasília.
O que esperar daqui para frente? Fachin provavelmente evitará o tom midiático e as frases de efeito que marcaram gestões recentes, o que pode trazer um certo alívio. Mas a realidade é que a Corte está no centro da disputa política e qualquer gesto será lido como movimento estratégico. Para a sociedade, que observa perplexa a escalada de poder dos ministros, o desafio será recuperar a confiança de que o STF atua de forma imparcial e dentro dos limites constitucionais.
Em resumo, a presidência de Fachin não promete espetáculo, mas tampouco garante pacificação. O Supremo continuará no epicentro da política brasileira, agora sob um comando mais sóbrio, mas não necessariamente menos polêmico. Se haverá avanço institucional ou apenas manutenção da crise, só os próximos julgamentos dirão.
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