
Blindagem no escândalo do INSS expõe como crime organizado se entranhou no poder
Há muito que o crime organizado já não se restringe a favelas, vielas e margens da sociedade. Ele se entranhou no centro do poder, e quem admitiu isso foi ninguém menos que Luiz Inácio Lula da Silva, ainda em 2008, quando ocupava a Presidência da República:
“Na PM tem corrupção? Tem. E na política não tem? Tem. No empresariado não tem? No Poder Judiciário não tem? Em todo segmento da sociedade tem”.
A frase, que deveria ter abalado as estruturas de uma democracia séria, passou despercebida. De lá para cá, a corrupção cresceu em progressão geométrica e se sofisticou.
Corrupção não é apenas desvio de dinheiro público: é o abuso de posição de poder para obter benefícios ilegítimos. Pode ser um suborno, fraude, apropriação indébita ou tráfico de influência. Sempre às custas do interesse público.
O que se vê hoje na CPMI do Rombo no INSS é a demonstração prática de como o poder se movimenta para proteger interesses obscuros. Interferências vêm de todos os lados: do Executivo de Lula, do Judiciário — leia-se STF — e até de figuras poderosas no Senado.
O caso mais escandaloso ocorreu quando Rubens Costa, sócio e braço direito de Antônio Carlos Antunes, o “Careca do INSS”, foi preso em flagrante por mentir e tentar enganar a comissão. Horas depois, saiu pela porta da frente, sem pagar fiança.
Deputados viram na soltura um claro indício de que o esquema de roubo contra aposentados e pensionistas conta com “costas largas” no Parlamento. O deputado Marcel van Hattem (Novo/RS) levantou a suspeita de que houve “ordem superior” para a liberação — e apontou o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, como o único capaz de dar tal ordem.
A blindagem não é exceção: é regra. Se antes a corrupção era a prática de quadrilhas nos becos das cidades, hoje ela está institucionalizada nos salões de mármore do Congresso, nos gabinetes do Executivo e nas cortes superiores.
O caso da CPMI do INSS mostra como o crime organizado, ao se unir ao poder político, se torna praticamente intocável. E a pergunta que fica é simples e perturbadora: quem, de fato, governa o Brasil — o Estado ou o crime organizado travestido de Estado?
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