
O ex-presidente do Banco Central e atual executivo do Nubank, Roberto Campos Neto, afirmou nesta semana que a rápida expansão dos ativos digitais, especialmente as stablecoins, já começa a reduzir o papel tradicional dos bancos no crédito. Segundo ele, cada vez mais pessoas retiram dinheiro das instituições financeiras para movimentar recursos em carteiras digitais, o que diminui a capacidade dos bancos de conceder empréstimos.
Campos Neto explicou que as stablecoins, criptomoedas atreladas a ativos como o dólar ou o ouro, estão ganhando força mundialmente. Esse movimento, segundo o economista, gera um efeito colateral: a crescente demanda por títulos da dívida dos Estados Unidos, os chamados treasuries. Isso, na prática, fortalece o Tesouro norte-americano e fragiliza a política monetária de outros países, como o Brasil.
O ex-presidente do BC também fez críticas aos governos, afirmando que muitos não vêm cuidando bem de suas moedas. Ele destacou que o alto endividamento global e a falta de confiança em políticas fiscais e monetárias têm enfraquecido diversas divisas. “Está havendo uma desintermediação do crédito, e os bancos precisam olhar para os ativos digitais como parte de seus balanços”, afirmou.
Campos Neto deixou o Banco Central no fim de 2024, após comandar a instituição durante os governos de Jair Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva. Agora no Nubank, ele ocupa o cargo de chefe global de políticas públicas e defende que o sistema financeiro tradicional se adapte rapidamente à revolução digital trazida pelas criptomoedas.
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