
O escandaloso rombo de mais de R$ 4,4 bilhões nas contas dos Correios, registrado apenas no primeiro semestre deste ano, chegou à Procuradoria-Geral da República (PGR). A denúncia foi levada pelo deputado Evair de Melo (PP-ES), que exige apuração rigorosa sobre a gestão da estatal.
O parlamentar também acionou o Tribunal de Contas da União (TCU) para realizar uma auditoria detalhada nas contas da empresa. Evair compara os números: enquanto em todo o ano de 2024 o déficit foi de R$ 2,6 bilhões, em apenas seis meses de 2025 o rombo já ultrapassa os R$ 4,4 bilhões — quase sete vezes o prejuízo de 2023.
A sangria teria ocorrido, segundo o deputado, sob a gestão de Fabiano Silva dos Santos, ligado ao grupo Prerrogativas, que deixou recentemente o comando dos Correios. A acusação é de má administração e possível desvio de finalidade dos recursos da estatal.
Para aumentar a pressão política, Evair de Melo também anunciou que pretende convocar o ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, indicado ao cargo pelo senador Davi Alcolumbre (União/AP), para dar explicações públicas sobre a crise.
Segundo o parlamentar, o contraste é gritante: os Correios tiveram anos de lucro durante a gestão de Jair Bolsonaro, mas desde 2023 mergulharam novamente no vermelho. Ele denuncia um retrocesso administrativo e uma má condução da estatal, que voltou a gerar prejuízos bilionários ao erário.
A direção atual da empresa ainda não apresentou uma explicação convincente para o rombo, limitando-se a atribuir as dificuldades a um “contexto econômico adverso”. Já o governo evita se aprofundar no tema, preferindo destacar planos de “modernização” e “fortalecimento da estatal”.
A denúncia na PGR agora abre espaço para investigação. Cabe ao órgão avaliar se há indícios de crimes de gestão temerária, improbidade administrativa ou mesmo desvio de recursos. Se a PGR entender que existem elementos suficientes, poderá abrir inquérito formal, denunciar gestores e até acionar o Judiciário para responsabilização civil e criminal.
Para Evair de Melo, não se trata apenas de um desequilíbrio contábil, mas de um rombo sistêmico que ameaça a sobrevivência da empresa e prejudica diretamente a população brasileira, que depende dos serviços dos Correios.
O caso deve ganhar novos desdobramentos nos próximos dias, especialmente se a PGR e o TCU avançarem nas apurações. A grande questão agora é: haverá responsabilização real ou o rombo dos Correios será apenas mais um capítulo da longa lista de escândalos de estatais brasileiras, nas gestões petista?
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