
O Brasil parece condenado a viver num eterno ciclo de contradições, superstições e farsas políticas. Um país que ainda acredita em “mandinga”, em jogo do bicho e em assombração, agora se vê diante de um fantasma muito mais real: a volta de figuras carcomidas da política nacional, ressuscitadas como personagens de um filme “trash” de quinta categoria. Paulinho da Força, Aécio Neves e Michel Temer surgem, mais uma vez, das profundezas de Brasília para ditar os rumos do país. É ou não é um assombro?
Paulinho, enrolado até o pescoço na Lava Jato e réu em ações no STF; Aécio, que envergonhou o legado do avô Tancredo a ponto de virar sinônimo de escândalo; e Michel Temer, cuja imagem ainda está gravada na mente dos brasileiros com aquele assessor correndo com malas de dinheiro pelas ruas. Esse trio, mais sujo que pau de galinheiro, agora se apresenta como conselheiro da República. Só mesmo num Brasil comandado pela hipocrisia da esquerda, onde tudo se tolera e tudo se esquece, seria possível tamanho disparate.
E, enquanto esses fantasmas reaparecem, a narrativa do “golpe” segue como a mais nova mandinga da política nacional. Um golpe sem armas, sem tanques, sem mortes, sem sequestros. Um “golpe” de velhinhas com bíblia na mão, vendedores de algodão doce e patriotas empunhando bandeiras. Ora, desde quando isso é golpe? O que existe é uma farsa, uma construção retórica que serve apenas para justificar arbitrariedades e manter a oposição acuada.
A história é clara: em 1979, o Brasil concedeu anistia geral e irrestrita até mesmo para quem cometeu crimes de sangue — sequestros, assaltos a banco, assassinatos. Atos terroristas que poderiam ter sido enquadrados como crimes hediondos foram perdoados em nome da pacificação nacional. E tudo foi considerado constitucional. Agora, em 2025, querem nos convencer de que protestos pacíficos, sem sangue derramado, sem armas empunhadas, não podem ser objeto de anistia? É a mais descarada hipocrisia.
O discurso da dosimetria não passa de uma farsa. Fragmentar a anistia em “migalhas” é apenas perpetuar a perseguição seletiva, criminalizar opositores e manter aberta a ferida social que só a pacificação pode curar. O Brasil precisa de anistia ampla, geral e irrestrita. Nada menos que isso é aceitável.
E a Constituição? O texto é claro. O artigo 5º, inciso XLIII, veda anistia apenas a crimes hediondos, tortura e tráfico de drogas. Não é o caso. Já o artigo 8º do ADCT, em 1988, consagrou a anistia como ferramenta legítima de pacificação nacional. Mais: a competência para concedê-la é do Congresso Nacional, com sanção do Presidente da República. Lula já anunciou que vetará. Pois que vete. O Congresso tem a prerrogativa de derrubar o veto e dar ao povo brasileiro aquilo que ele pede: paz.
A oposição, por sua vez, insiste em perder gols de cara com o goleiro. Dribla, articula, pressiona, mas na hora decisiva chuta para fora. Como permitiram que os três cavaleiros do apocalipse político voltassem a ditar os rumos da República? A ingenuidade chega a ser criminosa.
Não se trata de defender partidos, governos ou ideologias. Trata-se de defender a coerência, a justiça e a memória histórica. Se ontem se anistiou quem pegou em armas, hoje não se pode negar perdão a quem apenas ergueu a bandeira nacional.
O Brasil precisa, mais do que nunca, de coragem. Coragem para encarar as hipocrisias, para desmascarar narrativas e para exigir que a Constituição seja cumprida. Coragem para dizer que dosimetria é farsa, que pacificação só virá com anistia. Coragem para escolher o amor ao Brasil acima da covardia política.
Chega de fingimento. Chega de hipocrisia. O país clama por anistia ampla, geral e irrestrita. Tudo o mais será apenas mais um capítulo vergonhoso da nossa história de fanfarronice política.
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