
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, poderia ter dormido tranquilo, mas preferiu forçar a barra. Integrando a comitiva de Lula na abertura da Assembleia Geral da ONU, Padilha passou por um verdadeiro vexame: nos Estados Unidos, só pode ir do hotel ao local da reunião oficial e nada mais. Qualquer passo fora do “circuito” e é deportado na hora. Sim, isso mesmo: vergonha.
O motivo? Padilha está sem visto pessoal. Em agosto, o governo americano sancionou o ministro por conta do programa Mais Médicos, acusando-o de estabelecer condições análogas à escravidão para médicos cubanos — profissionais que recebiam apenas 10% da remuneração, enquanto 85% do valor ia para financiar a ditadura em Cuba.
O visto que recebeu agora é da categoria G2, o último concedido a integrantes de comitivas presidenciais. Com ele, Padilha só pode circular entre o hotel, a sede da ONU e a Opas, que também teve funcionários punidos pelo mesmo caso. Um controle rígido: cinco quadras de liberdade, nada mais. Familiares? Mesma restrição.
O impacto dessa atitude dos EUA sobre o Planalto é claro: demonstra que a gestão internacional do governo Lula ainda enfrenta obstáculos por atos de gestões anteriores. Padilha entra na lista de figuras “sancionadas” que precisam de supervisão constante — e o constrangimento é todo público.
Fontes afirmam que o ministro ainda avalia se manterá a viagem completa, já que a restrição limita compromissos fora do hotel e das reuniões oficiais. A expectativa é que tente conciliar com a tramitação da medida provisória do programa Agora tem Especialistas.
O governo americano deixa claro: qualquer desrespeito à norma e Padilha é deportado imediatamente. É a primeira vez que um ministro brasileiro sofre tamanha limitação durante participação em evento oficial da ONU.
A situação também lembra que o programa Mais Médicos, que foi defendido como política de inclusão e saúde pública, gerou consequências diplomáticas concretas. Padilha, que liderou a implementação, agora sofre pessoalmente os efeitos dessas decisões.
Curioso é que o visto dele, mesmo sancionado, não havia sido renovado desde agosto, enquanto os vistos da mulher e da filha já haviam sido cancelados. Ou seja, a situação foi agravada pelo tempo e pela falta de regularização prévia.
O episódio gera constrangimento não apenas para Padilha, mas para toda a comitiva presidencial, mostrando que passados controversos podem custar caro até nas viagens internacionais. Até a comitiva de Lula em Nova York precisa lidar com o “fantasma” do Mais Médicos.
E assim, enquanto Padilha faz uma viagem monitorada e restrita, o Planalto enfrenta mais uma prova de que decisões políticas antigas podem gerar consequências públicas e constrangedoras — e que nem todo protocolo diplomático consegue proteger um ministro sancionado pelos Estados Unidos.
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