
A decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, de negar habeas corpus à família do “Careca do INSS” colocou ainda mais pressão sobre os bastidores da CPMI da Gatunagem, que investiga fraudes bilionárias no crédito consignado contra milhões de aposentados e pensionistas.
Agora, a esposa do “Careca”, Tânia Carvalho, seu filho Romeu Carvalho Antunes, além de Cecília Montalvão, esposa do empresário Maurício Camisotti, e o advogado Nelson Willians, terão que comparecer à comissão e responder às perguntas dos parlamentares.
Diferente dos acusados principais — o próprio “Careca” e Camisotti, que foram convocados como investigados — os familiares e sócios irão na condição de testemunhas. Isso significa que eles são obrigados a falar a verdade, sob pena de incorrer em crime de falso testemunho.
O presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), comemorou a decisão e disse que a medida “fortalece a união dos Poderes” e garante que os parlamentares possam esclarecer para onde foi o dinheiro roubado dos aposentados.
Entre os pontos que os membros da comissão querem desvendar estão:
O papel das esposas e familiares no esquema: serviram como laranjas para movimentar recursos desviados?
As conexões políticas: havia proteção de autoridades para blindar a quadrilha?
O destino do dinheiro: rastrear imóveis, empresas e contas usadas para lavar os valores.
Nesta quinta-feira (18), já está confirmado o depoimento de Rubens Oliveira e Milton Salvador de Almeida Jr., sócios do “Careca do INSS”, além do advogado Nelson Willians. As oitivas devem trazer novos elementos sobre a estrutura empresarial que sustentava o rombo no INSS, estimado em bilhões.
O impacto desses depoimentos pode ser explosivo: se comprovado que familiares e sócios atuaram para acobertar ou lucrar com o esquema, a CPMI pode ampliar a lista de investigados e abrir caminho para indiciamentos ainda mais pesados.
Para os parlamentares, a presença dos familiares é estratégica. Se eles abrirem o jogo, o esquema criminoso pode ser desmontado por completo. Se mentirem ou se omitirem, estarão na mira da Justiça — e expostos diante da opinião pública.
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