
O ex-prefeito de Teresina, médico José Pessoa Leal, o Dr. Pessoa, tenta se afastar da lama que respinga de todos os lados com a Operação Reset. Indiciado pela Polícia Civil no esquema de cancelamento ilegal de multas da Strans, ele insiste em negar qualquer participação. Para ele, tudo não passa de “traquinagem”. Mas o relatório policial fala outra língua — e essa língua é dura.
Foram 2.419 multas canceladas em apenas quatro meses, das quais 2.215 consideradas suspeitas. O prejuízo ao erário beira meio milhão de reais. Cancelamentos feitos fora do expediente, no escuro da madrugada, beneficiando veículos ligados a servidores e gestores. Um esquema com cara, cheiro e jeito de fraude. E, no centro da engrenagem, nomes da confiança direta de Dr. Pessoa.
Seu sobrinho, Bruno Pessoa, ex-superintendente da Strans, não titubeou: declarou formalmente à polícia que os cancelamentos foram feitos “a mando do prefeito”. Lucas da Rocha Lima, apontado como o “operador do reset”, confirmou a versão: executava ordens vindas de cima. Quando a engrenagem range, os subordinados falam — e falaram.
O curioso é que, mesmo com provas documentais, depoimentos e rastros digitais, Dr. Pessoa prefere o discurso moralizante: diz que não participou de nenhuma “danação”, que não sabia de nada, que essa história é coisa de gente “excluída de Deus”. Ora, não basta rezar para que a responsabilidade desapareça. Negar não anula fatos.
Indiciado não se torna alguém por acaso. Para a Polícia Civil, há indícios robustos de associação criminosa e inserção fraudulenta em sistema público. O ex-prefeito pode se declarar inocente quantas vezes quiser, mas a investigação já mostrou que a “traquinagem” teve método, comando e beneficiados. A pergunta que não cala: o mandante estava no gabinete do prefeito ou no banco de trás de algum carro multado?
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