
O Planalto resolveu jogar pesado. Lula (PT), cansado da conversa fiada, decidiu partir para o “marcar cerrado”: quem ousar votar a favor da anistia, que se prepare para sentir o peso da máquina. Já quem rezar na cartilha do governo recebe as bênçãos em forma de… emendas parlamentares. Afinal, quem quer dinheiro?
E não é pouco: até 4 de setembro, R$10,3 bilhões já foram despejados em emendas. Só em julho eram “míseros” R$3,7 bilhões. Ou seja, o caixa abriu, mas a fidelidade continua em falta. É a velha política do “toma lá, dá cá”, mas com um detalhe curioso: muitos parlamentares vão receber e, ainda assim, votar contra. Um verdadeiro “receba e não me ligue mais”.
Do bolo, R$9 bilhões foram para emendas individuais e R$1,33 bilhão para bancadas. Os números impressionam, mas a capacidade de compra de votos anda em baixa. O governo, já desgastado, descobre que nem sempre abrir o cofre garante obediência.
São Paulo, gigante da federação, levou R$953 milhões.
Paraíba, terra do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos), faturou R$263 milhões.
Distrito Federal, com seus 8 deputados, ficou com meros R$88 milhões — menos de um terço da Paraíba. Parece que Brasília só é importante quando o assunto é gastar, não receber.
O Planalto finge que distribui favores; os parlamentares fingem que estão satisfeitos. Mas, no fim, a conta é simples: cada vez mais dinheiro, cada vez menos apoio. Se o governo queria comprar paz no Congresso, acabou adquirindo desconfiança no atacado e lealdade no varejo.
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