
A China intensificou seus esforços para reduzir a dependência do dólar e ampliar o uso do yuan no comércio internacional. A instabilidade da política econômica dos Estados Unidos, somada ao enfraquecimento do dólar, abriu espaço para que Pequim avance em sua estratégia de transformar sua moeda em alternativa global. Desde 2022, a participação do yuan em pagamentos internacionais dobrou, e hoje mais de 30% do comércio chinês já é realizado na moeda local.
Para dar credibilidade ao processo, o governo chinês expandiu sua rede financeira internacional. Mais de 1.700 bancos ao redor do mundo já utilizam o sistema de pagamentos Cips, criado como alternativa ao Swift. Além disso, a China firmou acordos de swap com 32 bancos centrais, oferecendo acesso a 4,5 trilhões de yuan em linhas de crédito e ampliando o alcance de sua moeda em regiões como Oriente Médio e África.
A guerra da Rússia na Ucrânia também acelerou o movimento. Após as sanções ocidentais, bancos chineses passaram a conceder quase todos os novos empréstimos internacionais em yuan. O uso de plataformas digitais, como o mBridge, ampliou ainda mais as transações fora do sistema do dólar. Países como Hungria, Rússia e Quênia já testam emissões de títulos em yuan, e o Brasil avalia seguir o mesmo caminho.
Apesar do avanço, o yuan ainda representa apenas 4% dos pagamentos globais e 2% das reservas dos bancos centrais, frente a 50% e 58% do dólar, respectivamente. Para especialistas, a internacionalização plena da moeda chinesa dependerá da abertura dos mercados financeiros do país. Mesmo assim, autoridades em Pequim acreditam que o cenário de desconfiança no dólar e a ascensão de um sistema financeiro multipolar favorecem sua ambição de longo prazo.
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