
O Supremo Tribunal Federal (STF) caminha para uma decisão histórica contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Nesta quinta-feira (11), a ministra Cármen Lúcia deu o voto decisivo que formou maioria na Primeira Turma para condenar Bolsonaro e outros integrantes do chamado “núcleo 1” da denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Segundo a magistrada, há “prova cabal” de que o ex-presidente liderou uma organização criminosa com o objetivo de tentar um golpe de Estado após as eleições de 2022.
O julgamento, que deve ser concluído com o voto do ministro Cristiano Zanin, ocorre em meio a fortes divergências no plenário. Enquanto Alexandre de Moraes e Flávio Dino acompanharam a condenação, o ministro Luiz Fux divergiu, defendendo a absolvição de Bolsonaro e afirmando que não houve atos concretos de execução de golpe, apenas “cogitações ou preparativos”. Ainda assim, o voto de Cármen Lúcia consolidou a tendência de derrota para o ex-presidente.
No centro da acusação, além de Bolsonaro, estão figuras de destaque de seu governo, como o ex-ministro Walter Braga Netto, o ex-chefe da Abin Alexandre Ramagem, o ex-ministro da Justiça Anderson Torres, além de membros das Forças Armadas. Todos respondem por crimes como tentativa de abolição violenta do Estado democrático de Direito, participação em organização criminosa e tentativa de golpe de Estado.
As consequências políticas e jurídicas da condenação se somam a um cenário de forte tensão internacional. O governo dos Estados Unidos, sob Donald Trump, já classificou o julgamento como “perseguição antidemocrática” contra seu aliado, e ameaça retaliar economicamente o Brasil. Sanções adicionais, ampliação de tarifas e até a inclusão de mais ministros do STF na Lei Magnitsky estão entre as medidas cogitadas. O impacto imediato no mercado seria o aumento da volatilidade, com alta do dólar e queda no Ibovespa, pressionando ainda mais a economia brasileira.
Especialistas alertam que a forma como Brasília administrará a crise pode determinar o peso no bolso dos brasileiros. Uma eventual escalada entre Brasil e EUA poderia afetar exportações, investimentos e operações financeiras. O STF, por sua vez, reafirma que o julgamento se pauta pela defesa do Estado democrático de Direito, enquanto o país assiste apreensivo ao desfecho de um processo que pode marcar profundamente a política e a economia nacional.
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