Domingo, 28 de Junho de 2026
32°

Tempo nublado

Teresina, PI

Justiça TRIBUNAL IMPARCIAL

Julgamento político ou jurídico? A controvérsia sobre o STF e o caso Bolsonaro

Suspeição, imparcialidade e o risco da descrença institucional

09/09/2025 às 22h21 Atualizada em 10/09/2025 às 08h11
Por: Douglas Ferreira
Compartilhe:
Ministro Alexandre de Moraes - Foto: Reprodução
Ministro Alexandre de Moraes - Foto: Reprodução

O julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro divide não apenas opiniões, mas também expõe uma questão de fundo: trata-se de um processo técnico-jurídico ou de um julgamento político? Para muitos analistas, juristas e parte expressiva da sociedade, a resposta já está dada. Não é preciso formação acadêmica para perceber o caráter político das decisões, basta observar a composição da Primeira Turma do STF que conduz o caso.

De acordo com o Código de Processo Penal (art. 254) e o Código de Processo Civil (art. 145), a lei prevê que um juiz não pode julgar um réu contra quem nutre inimizade declarada. Esse é um claro motivo de suspeição, já que compromete a imparcialidade exigida de um magistrado. No entanto, no julgamento de Bolsonaro e de seus auxiliares, pelo menos três dos cinco ministros que compõem a turma têm histórico de inimizade ou ligação política com o réu, o que coloca em xeque a credibilidade do processo.

Entre eles, está o presidente da turma, ex-advogado de Lula, Cristiano Zanin adversário político direto de Bolsonaro. Soma-se a isso o ministro Alexandre de Moraes, cuja postura e votos evidenciam animosidade pessoal, mais próximos de um acusador do que de um julgador.Flávio Dino, ex-ministro da Justiça do governo Lula, deixou transparecer em declarações anteriores um desprezo político pelo réu. Para ele, "Bosonaro é o próprio demônio". Em contraste, o ministro Luiz Fux é apontado como voz destoante, enquanto a ministra Cármen Lúcia tende a acompanhar o relator, sem nem ao menos tremer um olho. Ela, Zanin e Dino só estão no STF for força e graça de Lula.

O problema vai além da suspeição individual: a percepção pública é de que Bolsonaro não está sendo julgado como acusado, mas como condenado desde o início, restando à Corte apenas definir a dosimetria da pena. E acredita-se que pelo ódio destilado até agora nos votos, pegará pena máxima. Isso distorce o princípio constitucional da presunção de inocência e alimenta a tese de que o julgamento é mais político do que jurídico. É uma caça às bruxas.

A situação se agrava quando ministros recorrem a deboche e ironia em seus votos, como fez Flávio Dino ao mencionar “Mickey”, "Pateta" e “cartão de crédito” para ironizar sanções internacionais da Lei Magnitsky e críticas externas. Tais manifestações, longe de contribuírem para a dignidade do processo, reforçam a ideia de que o julgamento perdeu o caráter técnico e se transformou em espetáculo político. Há quem acredite até mesmo em uma farsa.

A lei estabelece que, quando um juiz mantém inimizade em relação a um réu, trata-se de suspeição, impedindo-o de julgar o processo devido à parcialidade comprometida. Essa inimizade constitui um motivo subjetivo para a declaração de suspeição, conforme previsto no artigo 145 do Código de Processo Civil (CPC) ou no artigo 254 do Código de Processo Penal (CPP), devendo ser alegada pela parte interessada para que o magistrado seja afastado do caso.

Nesse cenário, a pergunta central é inevitável: quando uma Corte Constitucional deixa de agir como guardiã da Constituição e passa a atuar como parte interessada na arena política, quem protegerá o Estado de Direito?

O STF deveria ser o árbitro neutro, não protagonista do jogo. Se ultrapassa essa linha, corre o risco de corroer sua própria legitimidade e aprofundar a crise de confiança nas instituições.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
A NOTÍCIA E O FATO
A NOTÍCIA E O FATO
Sobre Douglas Ferreira é multimídia. Além de jornalista, é bacharel em Direito. Foi repórter da TV Clube, afiliada da Rede Globo, por 10 anos e, em Caxias, no Maranhão, apresentou o programa “Fala Caxias”. Fundou e dirigiu por seis anos a Folha do Cocais. Foi secretário de Comunicação da Prefeitura de Caxias e retornou a Teresina como âncora da TV Meio Norte. Por 20 anos, reportou e apresentou na TV Antena 10, afiliada da Record. Também foi assessor de imprensa do Tribunal de Justiça do Piauí e passou por rádios e pelos maiores portais do Estado. Sua vida é o jornalismo. No Sistema Move de Comunicação, foi editor do Portal Move Notícias e apresentador do Business Cast, do canal movetvweb no YouTube. Agora, está à frente do Gazeta Hora1.
Teresina, PI Atualizado às 15h01 - Fonte: ClimaTempo
32°
Tempo nublado

Mín. 23° Máx. 32°

Seg 36°C 22°C
Ter 36°C 21°C
Qua 36°C 20°C
Qui 37°C 23°C
Sex 36°C 25°C
Horóscopo
Áries
Touro
Gêmeos
Câncer
Leão
Virgem
Libra
Escorpião
Sagitário
Capricórnio
Aquário
Peixes