
Seis bilionários nordestinos perderam mais de R$ 9 bilhões em patrimônio em 2025, segundo levantamento da Forbes. Entre os afetados, cinco são cearenses e um baiano, evidenciando que mesmo os grandes nomes do Nordeste não estão imunes às oscilações do mercado e à volatilidade de setores estratégicos como saúde e educação privada.
A maior perda foi registrada por Cândido Pinheiro Koren de Lima, fundador do Grupo Hapvida, cuja fortuna caiu 36%, de R$ 13,8 bilhões para R$ 8,8 bilhões. Seus herdeiros, Cândido Jr. e Jorge Fontoura, também tiveram redução equivalente em suas fortunas, caindo de R$ 2,4 bilhões para R$ 1,6 bilhão cada. A queda acontece após anos de crescimento acelerado, revelando como picos de valorização podem ser seguidos de quedas abruptas.
Outros bilionários cearenses, como Oto de Sá Cavalcante, fundador da Arco Educação, também registraram perdas, embora mais moderadas: 7,6%, saindo de R$ 3,98 bilhões para R$ 3,7 bilhões. A situação demonstra que nem todos os setores enfrentam a mesma volatilidade, mas a tendência de retração começa a ser percebida em diferentes segmentos.
No caso dos baianos, José Caetano de Paula Lacerda, do Grupo GPS, viu seu patrimônio reduzir apenas 6%, de R$ 1,66 bilhão para R$ 1,6 bilhão. A variação menor indica que alguns grupos empresariais conseguem maior estabilidade financeira, mas ainda assim não escapam completamente do impacto de cenários econômicos desafiadores.
A queda percentual mais impactante ficou com Maria das Graças Dias Branco da Escóssia, herdeira do Grupo M. Dias Branco, que teve sua fortuna reduzida 71,2%, de R$ 3,48 bilhões para R$ 1 bilhão. A alteração reflete mudanças na composição da lista da Forbes, que agora considera seis bilionários distintos na família em vez de agrupar o patrimônio.
Especialistas apontam que o principal fator da perda é a volatilidade de mercados financeiros, combinada com a reavaliação de ativos e participação societária. Setores estratégicos do Nordeste, como saúde, educação e alimentos, sofrem pressões regulatórias, competitivas e econômicas que impactam diretamente os patrimônios.
Os reflexos para a economia regional podem ser significativos. Reduções bilionárias afetam investimentos, empregos diretos e indiretos e capacidade de expansão das empresas. Embora não se trate de uma crise generalizada, o fenômeno alerta para os riscos de concentração de riqueza e dependência de setores específicos.
Para evitar novas perdas, bilionários e famílias empresariais devem diversificar investimentos, rever estruturas societárias, investir em inovação e fortalecer mecanismos de governança. A lição é clara: riqueza não garante imunidade econômica, e o Nordeste precisa de políticas que fomentem estabilidade e crescimento sustentável.
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