
O cinismo parece ter se tornado padrão entre autoridades do Ministério da Previdência e do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS). Depois da revelação de um roubo bilionário a aposentados, envolvendo um verdadeiro consórcio criminoso entre o INSS, sindicatos e associações, a resposta oficial parece ser o silêncio: “ninguém sabe de nada”.
Nesta segunda-feira (8/9), a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga os desvios no INSS ouviu o ex-ministro da Previdência, Carlos Lupi. Ele deixou o cargo em maio, após a operação da Polícia Federal que desvendou as fraudes. Questionado sobre quando teria tido conhecimento do esquema, Lupi afirmou que só tomou consciência do tamanho do rombo depois das investigações da PF.
“A gente infelizmente não tem o poder da adivinhação. Nunca tivemos capacidade de dimensionar o tamanho ou volume do que esses criminosos fizeram no INSS”, disse Lupi, alegando que sua maior falha teria sido justamente não ter dado dimensão ao rombo.
A declaração causou estranhamento: não se tratava de adivinhação, mas de alertas recebidos e ignorados. Por que não foram tomadas providências para estancar a sangria? Por que não houve denúncia? O silêncio do ex-ministro sobre essas questões deixa claro o potencial de impunidade que cerca o caso.
Durante a oitiva, Lupi também atribuiu sua saída a uma “campanha política” contra ele, tentando desviar o foco das acusações. O presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos/MG), coordena os trabalhos que prometem desgastar ainda mais o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O escândalo veio à tona a partir de reportagens do portal Metrópoles, que revelaram que as associações envolvidas arrecadaram R$ 2 bilhões em um ano com descontos de aposentados, ao mesmo tempo em que respondiam a milhares de processos por fraude nas filiações. As investigações culminaram na Operação Sem Desconto, deflagrada em 23 de abril, que levou às demissões do presidente do INSS e do então ministro Carlos Lupi.
Além de Lupi, todos os ministros da Previdência dos últimos dez anos e 12 ex-presidentes do INSS foram convocados para prestar esclarecimentos sobre os descontos associativos indevidos.
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