
A relação do presidente Lula da Silva com sua própria base aliada está cada vez mais desgastada. O estilo de governar, marcado por isolamento e desconfiança, vem criando nós difíceis de desatar. O episódio mais recente é a derrota na eleição para a presidência da CPMI do INSS, comissão que investiga o maior escândalo da história do instituto: fraudes que, segundo a Polícia Federal, já somam mais de R$ 6 bilhões em prejuízos a aposentados e viúvas.
Na votação, parlamentares governistas se ausentaram e abriram caminho para a oposição assumir o comando da comissão. Lula não engoliu a derrota e reagiu com trocas na base aliada, cobranças públicas e até promessa de “vingança política”. O deputado Rafael Brito (MDB-AL) foi um dos alvos: faltou à votação e acabou substituído. Lula não perdoou a ausência, lembrando que havia gravado até vídeo em apoio à campanha do parlamentar para a prefeitura de Maceió. Outro caso foi o do senador Cid Gomes (PSB-CE), que simplesmente não apareceu no dia da eleição e também acabou afastado da comissão.
Para tentar conter a crise, o governo liberou mais de R$ 200 milhões em emendas parlamentares, mas a pergunta que fica é: será que isso basta? Há caixa para manter essa política de liberação permanente de recursos em troca de apoio? A governabilidade de Lula mostra rachaduras, e a confiança entre governo e base já não é a mesma.
Em meio a essa turbulência, uma notícia caiu como bomba: o senador Renan Calheiros (MDB-AL) confirmou que não fará parte da CPMI do INSS. A decisão é uma baixa significativa para a base governista, que contava com a experiência e articulação do emedebista no colegiado. “Não saí porque nunca entrei. Avisei ao líder Eduardo Braga antes de começar”, disse Renan em entrevista à CNN, rebatendo a versão de que teria desistido após já estar oficialmente escalado.
O fato é que, com ou sem Renan, Lula já coleciona derrotas seguidas em votações estratégicas, e o ambiente no Congresso mostra que a base está cada vez menos disposta a seguir cegamente as ordens do Planalto. O risco para o governo é real: perder não apenas espaço político, mas também a credibilidade de que ainda tem força para conduzir a agenda nacional.
No tabuleiro da política, Lula enfrenta um dilema: abrir ainda mais o cofre para comprar lealdade ou encarar a rebeldia de sua própria base. Enquanto isso, quem paga a conta — literal e figuradamente — é o povo brasileiro.
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