
Outro dia a governadora Fátima Bezerra, do PT, virou piada nacional ao inaugurar uma torneira no interior do Rio Grande do Norte - com um sonoro "teje entregue" -, como se fosse um grande feito de governo. Agora, o Piauí segue pelo mesmo caminho da pirotecnia política: a devolução de celulares roubados, ainda que relevante para quem teve o bem recuperado, virou solenidade com direito à presença do governador Rafael Fonteles. Pergunta que não quer calar: devolver ao cidadão aquilo que lhe foi roubado é entrega de governo? Ou seria, na verdade, a prova viva de que o Estado falhou ao permitir que o roubo acontecesse?
Não se trata aqui de negar a importância do programa de recuperação de celulares. Pelo contrário: trata-se de uma iniciativa interessante, que precisa ser fortalecida. O problema está no espetáculo midiático que se cria em torno disso, como se fosse uma grande vitória da segurança pública. Segurança não é devolver celular roubado. Segurança é o cidadão andar na rua, no ônibus, de moto ou de carro e saber que não será roubado. Segurança é prevenir, não apenas remediar.
O governador prometeu porto marítimo, hidrogênio verde, empregos, saúde, educação e segurança de verdade. O que entrega hoje é celular roubado. É pouco, muito pouco. Pior: ao transformar um ato administrativo em espetáculo político, o governo transmite a sensação de que a criminalidade é inevitável e que o máximo que o Estado pode fazer é tentar remediar.
Não é. O que o povo quer ver é queda real da violência, redução concreta nos índices de roubos, furtos e homicídios. Quer sair de casa e voltar em paz, sem medo. Quer ver operações eficazes, policiais valorizados, investimento em inteligência e planejamento. Quer, em resumo, que o crime não aconteça.
Se a governadora do RN envergonhou seu povo com a inauguração de uma torneira, o governador do Piauí precisa entender que a entrega de celulares roubados também não é motivo para festa. É um paliativo, não uma conquista. O que merece solenidade e presença do chefe do Executivo é a vitória contra o crime, a redução consistente da criminalidade. Todo o resto, como dizia Millôr Fernandes, não passa de “secos e molhados”.
ESCOLA DO RECIFE Tobias Barreto de Menezes: o jurista que revolucionou o pensamento jurídico brasileiro
NAS MÃOS DOS COIOTES Fugindo do “inferno”: por que milhares de cubanos agora escolhem o Brasil para recomeçar a vida?
ATENAS ALAGOANA Penedo: a Atenas do Nordeste que encantou Dom Pedro II e preserva quase cinco séculos de história às margens do Velho Chico
REJEIÇÃO INTERNA Vinícius Dias expõe resistência no PT e revela por que Iasmin recuou da suplência
POLÍCIA FEDERAL Quanto mais mexe, mais fede: cerco da PF aperta e Jaques Wagner vira problema para o Planalto
ACESSO A PF E PGR Vorcaro não queria influência. Queria acesso ao topo da República
JUSTIÇA DO TRABALHO Maria Suzete Monte Diógenes: uma vida dedicada à Justiça, ao conhecimento e ao serviço público
PROPINODUTO MASTER A queda da engolideira: quando o Banco Master deixou de ser banco para virar máquina de poder
TURISMO AMERICANO Ranking revela as melhores cidades dos Estados Unidos em 2026: por onde começar a realizar o sonho americano?
Mín. 23° Máx. 32°