
Henrique de La Rocque Almeida (1912–1982) foi uma das maiores figuras da história política e jurídica do Maranhão e do Brasil. Advogado, jornalista, deputado federal, senador e ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), construiu uma trajetória marcada por autoridade, ética e equilíbrio entre poder e justiça. Sua vida pública de quase três décadas representou um modelo de liderança que, até hoje, inspira juristas e políticos em todo o país.
Nascido em São Luís, La Rocque estudou no tradicional Colégio Antônio Vieira, dos jesuítas, e formou-se em Direito pela Faculdade de Direito do Rio de Janeiro, com complementação na Bahia. No início da carreira, atuou como técnico de administração no Ministério da Fazenda e como jornalista cobrindo o Supremo Tribunal Federal (STF). Essa vivência lhe deu profundo conhecimento institucional, preparando-o para a vida política.
Eleito deputado federal em 1950, La Rocque exerceu sucessivos mandatos, ocupando funções centrais como Primeiro-Secretário da Câmara, presidente da Comissão de Constituição e Justiça e membro de comissões de Finanças, Educação e Legislação Social. Em seguida, conquistou cadeira no Senado, onde se tornou uma das vozes mais respeitadas do Maranhão em Brasília.
Foi durante sua passagem pelo Legislativo que deixou sua marca: articulado, firme e respeitado tanto por aliados quanto por adversários. Entre suas propostas, destacam-se alterações na Previdência dos congressistas, ajustes no Código Penal Militar e regulamentações voltadas à magistratura e Justiça Militar.
Em 1964, La Rocque apoiou o regime militar, como muitos de sua geração que acreditavam na necessidade de reformas constitucionais em um contexto de instabilidade. Contudo, rapidamente percebeu os excessos e arbitrariedades do regime. Tornou-se então defensor de perseguidos políticos, apoiou concessões restritas de anistia e passou a criticar as restrições às liberdades civis. Esse equilíbrio entre legalidade e justiça consolidou sua imagem de homem público acima das conveniências.
Uma das maiores lideranças recentes da política maranhense, Edison Lobão, lembra com destaque o papel de La Rocque em momentos decisivos. Segundo ele, foi em sua residência que ocorreu a decisão de lançá-lo candidato único ao Senado, com o apoio de José Sarney, Alexandre Costa e Clomir Millet. Até mesmo Epitácio Cafeteira, o principal opositor, abriu mão de concorrer e apoiou La Rocque, reconhecendo sua estatura política.
Mais tarde, já consolidado como liderança, La Rocque foi responsável por lançar jovens promessas à vida pública. “Ele nos deu a mão: eu, como deputado federal, e Sarney Filho, como deputado estadual. Ambos entre os mais votados”, recorda Lobão. Esse gesto revela sua vocação de articulador e mentor político.
Após longa trajetória legislativa, La Rocque foi nomeado ministro do TCU, onde permaneceu até sua morte. Ali, reforçou seu compromisso com o zelo pela coisa pública, exercendo suas funções com rigor e ética. Foi abatido, no entanto, por um câncer insidioso que lhe trouxe grande sofrimento nos últimos anos de vida.
Antes mesmo da vida parlamentar, La Rocque havia presidido o IAPC (Instituto de Previdência dos Comerciários), experiência que o aproximou das lutas sociais e dos trabalhadores. Ali, aprendeu a conciliar técnica administrativa com sensibilidade política, virtude que se refletiu ao longo de sua carreira.
O maior legado de Henrique de La Rocque foi sua capacidade de conciliar autoridade e humanidade, sem abrir mão da ética. Conseguiu apoiar governos, mas também os questionar quando a justiça e os direitos fundamentais eram postos em risco. Deixou sua marca no Maranhão e no Brasil como um gigante da política e do direito.
O município de Senador La Rocque e as memórias de sua atuação perpetuam sua trajetória exemplar. Sua morte, em 16 de agosto de 1982, no Rio de Janeiro, marcou profundamente a classe política e jurídica do país. Foi sepultado sob grande comoção, com homenagens de centenas de pessoas que viam nele uma síntese de liderança, coragem e compromisso com a democracia.
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