
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a reclamar publicamente que não consegue contato com nenhuma autoridade do governo norte-americano. A declaração, feita nesta quinta-feira (28), em meio à escalada da guerra comercial entre Brasil e EUA, tem peso simbólico: o chefe de Estado da segunda maior nação das Américas admite não ter voz nem espaço junto à Casa Branca.
O cenário é delicado. Enquanto Donald Trump impôs um tarifaço de 50% sobre parte das exportações brasileiras, ministros de peso da gestão petista – Fernando Haddad (Fazenda), Geraldo Alckmin (Indústria) e Mauro Vieira (Relações Exteriores) – relatam portas fechadas em Washington. Pior: autoridades americanas preferiram se reunir com Eduardo Bolsonaro, deputado de oposição, a dialogar com integrantes do governo federal.
Lula insiste em afirmar que não vai “mendigar” audiência. O discurso pode soar como altivez, mas na prática revela um Brasil enfraquecido diplomática e comercialmente. Ao admitir o isolamento, o presidente coloca o país numa posição vulnerável em plena disputa global por mercados, investimentos e influência política.
A ironia é que Lula se apresenta no exterior como voz do Sul Global, defensor da multipolaridade e negociador habilidoso. Porém, diante de seu principal parceiro comercial fora da Ásia, é tratado com descaso. Para Washington, o Brasil parece ter deixado de ser prioridade estratégica – e esse é um recado duro para a economia e para a imagem internacional do país.
Diante da falta de interlocução com os EUA, o governo brasileiro tentou encontrar refúgio no Brics, apostando na aliança com Rússia, China, Índia e África do Sul como uma tábua de salvação. Mas a estratégia soa como um abraço de afogados. Ao contrário do Brasil, esses países deixaram o orgulho de lado e buscaram canais diretos de negociação com a Casa Branca, conseguindo reduzir sensivelmente as tarifas impostas por Trump.
Enquanto os parceiros do bloco asseguram espaço no mercado americano, o Brasil permanece de fora, preso ao discurso político e incapaz de transformar sua retórica em resultados práticos.
O tarifaço de Trump atinge setores cruciais da exportação nacional, reduz competitividade e ameaça empregos. Embora produtos como petróleo, minério e suco de laranja tenham ficado de fora da sobretaxa máxima, a medida sinaliza desconfiança sobre o Brasil e sua política externa. O recado é claro: sem interlocução, sem acordos, sem exceções.
O Brasil virou um párea para os Estados Unidos? A imagem de Lula como líder global perde força quando não encontra espaço nem para sentar à mesa com o presidente americano. Entre a retórica de que não “rasteja” diante de ninguém e a necessidade concreta de proteger a economia nacional, fica a sensação de que o governo brasileiro confunde altivez com isolamento.
No fim, a frase de Lula ecoa mais como um diagnóstico de fraqueza do que como demonstração de força: “Não conseguimos falar com ninguém”. E é isso que preocupa – não apenas os investidores e diplomatas, mas todo um país que depende de relações sólidas para crescer.
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