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Política O PREÇO DAS EMENDAS

Lula abre o cofre: R$ 200 milhões em emendas para blindar CPMI do rombo no INSS

Enquanto aposentados sangram com fraudes bilionárias, o governo despeja milhões para parlamentares da comissão, numa manobra que tenta esconder a participação de nomes ligados ao próprio presidente — incluindo seu irmão, Frei Chico

27/08/2025 às 18h19
Por: Douglas Ferreira
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Tropa de choque de Lula na CPMI do Rombo do INSS: senadores Paulo Pimenta, Randfolfe Rodrigues e Ricardo Maia - Foto: Reprodução
Tropa de choque de Lula na CPMI do Rombo do INSS: senadores Paulo Pimenta, Randfolfe Rodrigues e Ricardo Maia - Foto: Reprodução

O toma lá, dá cá entre Executivo e Legislativo nunca foi novidade no Brasil. Mas, nos governos do PT, a prática se transformou em um balcão de negócios explícito e vergonhoso, onde emendas viram moeda de troca para compra de silêncio e fidelidade. Agora, a instalação da CPMI do Rombo no INSS, que promete revelar o maior esquema de corrupção da história recente da Previdência, expõe mais uma vez a face podre da política brasileira: o governo Lula abriu o cofre e despejou mais de R$200 milhões para titulares da comissão, tudo para tentar sepultar a investigação antes mesmo dela andar.

As cifras são escandalosas. Entre 1º e 22 de agosto, o governo pagou R$113,7 milhões em emendas, além de empenhar outros R$90,8 milhões, garantindo que os parlamentares tenham o que mostrar em suas bases eleitorais. Dinheiro público usado não para beneficiar o povo, mas para calar deputados e senadores que deveriam investigar um esquema bilionário que lesou mais de 9 milhões de aposentados.

Entre os blindados está ninguém menos que José Ferreira da Silva, o Frei Chico, irmão do presidente Lula e dirigente do Sindinapi, sindicato acusado de embolsar mais de R$150 milhões dos velhinhos. A tropa lulista na CPMI é encabeçada pelo líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT/AP), pelo deputado Ricardo Maia (MDB/BA) e pelo petista Paulo Pimenta (PT/RS). Coincidência? Difícil acreditar.

Enquanto isso, parlamentares como a deputada Coronel Fernanda (PL/MT) — autora do pedido de criação da CPMI — não receberam um centavo. O recado é claro: quem ousa cutucar a ferida do governo é ignorado; quem se curva, é premiado.

A manobra do Planalto lembra os tempos mais obscuros da política brasileira, onde a democracia vira fachada para um sistema de prostituição institucionalizada. Os parlamentares vão se vender? Vão engavetar a investigação? Vão se fingir de cegos diante de um roubo que deixou milhões de aposentados à míngua, com contracheques sangrados por máfias e atravessadores?

O mais grave é que, no meio desse lamaçal, a blindagem de Frei Chico soa como confissão silenciosa de culpa. Se nada houvesse a temer, por que tanto esforço para barrar sua convocação? Por que o governo insiste em transformar uma CPI — que deveria ser a caixa-preta da Previdência — em um teatro farsesco, cheio de convites de “café com leite” para ex-ministros, enquanto os verdadeiros protagonistas do escândalo seguem intocados?

É preciso dizer em alto e bom som: Lula não teme pela democracia; teme pela verdade. A CPMI ameaça expor não só a podridão dentro do INSS, mas também o envolvimento de aliados e familiares. A cada emenda liberada, a cada cheque empenhado, a cada manobra regimental, o governo escancara sua prioridade: proteger os seus, custe o que custar.

O Brasil já viu esse filme. Já viu a corrupção ser maquiada como governabilidade. Já viu o cofre ser usado como cabresto para calar vozes incômodas. Mas a história mostra que a verdade sempre encontra um caminho. E, quando ela vier à tona, será implacável.

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