
Em Teresina, a morte deixou de ser surpresa e se tornou rotina. Não há mais espanto quando a manchete anuncia: “Homem é assassinado a tiros na periferia da capital”. O enredo se repete, todos os dias, sobretudo nos finais de semana. A cidade sangra de Norte a Sul, de Leste a Oeste. Facções se instalaram, controlam bairros, ruas e até becos. Vivem lado a lado com a população, impondo regras silenciosas, ditando o ritmo do medo e colecionando cadáveres.
Na noite deste domingo (24), a execução teve endereço certo: cruzamento das ruas Alonso de Carvalho e São Caetano, no Parque Lúcio, região do Dirceu II, zona Sudeste. Caio Eduardo de Sousa foi cercado por criminosos em duas ou três motocicletas e fuzilado a tiros de pistola. Não houve chance de defesa. A perícia ainda não confirmou o calibre, mas o corpo, crivado de balas, deixa claro o recado das facções: quem entra no jogo sabe como termina.
Familiares insistem que Caio não tinha inimigos, mas informações extraoficiais apontam que ele já havia escapado de uma tentativa de homicídio anteriormente. Escapou da primeira, tombou na segunda. O ciclo é sempre o mesmo. Para a polícia, mais um crime a ser investigado. Para a família, uma dor irreparável. Para as facções, apenas mais um nome riscado da lista.
A verdade é dura: a juventude da periferia de Teresina cresce sem perspectivas. Sem emprego, sem estudo de qualidade, sem horizonte, muitos veem no crime a única porta aberta. Mas essa porta é de entrada sem saída: quem passa por ela já assinou, antecipadamente, o próprio atestado de óbito. Os adolescentes que hoje carregam pistolas são os mesmos que amanhã vão engrossar as estatísticas de homicídios. Soldados descartáveis de um exército que se multiplica a cada esquina.
A polícia prende, apreende, desarticula, mas o efeito é o mesmo que enxugar gelo. Um chefe cai, outro assume. Uma boca fecha, duas abrem. O crime é impessoal, organizado e sedutor para uma juventude órfã do Estado e abandonada pela sociedade. Enquanto isso, Teresina segue refém de suas facções, e seus moradores, condenados a viver entre a dor e o medo.
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