
Hey Powers! Vamos falar do alerta Felca?

Felca pegou uma super polêmica, expôs com sarcasmo e inteligência e trouxe relevância onde era necessário. Esse recente alerta do influenciador sobre o chamado “algoritmo P”, acusado de favorecer conteúdos de adultização infantil, é apenas a face mais visível de um fenômeno mais amplo: a realidade, filtrada por algoritmos, chega ao público camuflada. As redes sociais transformaram a exceção em regra. Casos raros, muitas vezes excêntricos, são elevados ao status de tendência, distorcendo a percepção coletiva.
O que gera engajamento, por mais bizarro que seja, ganha centralidade. Assim, assistimos à transformação de episódios marginais em espetáculo: adultos ostentando bebês-reborn como filhos, outros desfilando com chupetas em vídeos virais. São casos que, em condições normais, permaneceriam na periferia social, mas que a lógica algorítmica insiste em apresentar como consenso. E o pior, o jornalismo vê nisso uma maneira de ganhar também visualizações e seguem apresentando e reforçando o que é minoria.
Esse não é um efeito colateral trivial. A sociologia e a psicologia já lhe deram nome. O filtro-bolha explica como o algoritmo reforça determinadas narrativas e silencia vozes discordantes. O efeito do falso consenso mostra como passamos a acreditar que comportamentos minoritários são, na verdade, práticas comuns, simplesmente porque aparecem de forma recorrente em nossa linha do tempo.
O risco é evidente: perde-se a capacidade de distinguir o estrutural do episódico. O que é marginal ocupa o centro. O que deveria ser objeto de reflexão crítica se torna moda. Imagine o efeito de um tráfego pago intenso...
Essa lógica, contudo, não se limita à cultura digital. Ela se estende à forma como interpretamos a economia. Curtidas e visualizações tornaram-se, para alguns, métricas de sucesso equivalentes a vendas ou crescimento. Mas likes não pagam boletos. Os indicadores mais sofisticados não substituem a experiência de quem lida com o caixa da padaria, a bomba de combustível ou a prateleira de uma loja de um supermercado.
A economia comportamental nos lembra que narrativas e percepções moldam tanto decisões de consumo quanto investimentos. Mas quando essas narrativas são fabricadas por algoritmos, a distância entre a economia do feed e a economia real se torna perigosa.
A verdade está, como sempre esteve, no mundo físico. Ela se revela na queda das vendas, no cliente que adia a compra, no trabalhador que sente a pressão do custo de vida. Nenhum algoritmo é capaz de capturar o peso desses sinais.
Seja na política, na sociedade ou na economia, o consenso fabricado por telas exige desconfiança. É necessário lembrar que o que viraliza raramente é o que importa. O essencial continua acontecendo fora do alcance dos filtros: na vida real, no olho no olho, na prática cotidiana de viver, empreender e intuir, características puramente humanas que devem ser priorizadas a cada dia.
E você como tem se informado, nas bolhas ou na vida real?
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