
O que deveria ser um ambiente de aprendizado e formação se transformou em palco de execução sumária. Nesta quinta-feira, 14 de agosto, Teresina presenciou uma cena que não deveria existir nem nos filmes mais violentos: adolescentes armados, organizados e dispostos a matar dentro de uma escola.
A vítima, Alex Mariano Nascimento Moura, 16 anos, foi julgada, condenada e executada em minutos — não por um tribunal de justiça, mas pelo “tribunal do crime” de uma facção rival.
O assassinato, cometido no Centro Educacional de Educação Profissional (CEEP), no Residencial Esplanada, na zona Sul da capital, revela algo ainda mais preocupante: o crime organizado não está apenas nas ruas — ele entrou nas salas de aula. O ato foi frio, meticulosamente planejado e executado por adolescentes que já perderam qualquer resquício de medo ou noção de humanidade.
Segundo a investigação do Departamento de Repressão às Ações Criminosas Organizadas - DRACO, a motivação surgiu de uma postagem nas redes sociais de Alex, vista apenas por “melhores amigos”. Nela, aparecia uma arma de fogo. A imagem foi parar nas mãos de rivais, que decidiram puní-lo. A pena? A morte.
O roteiro do crime incluiu abordagem, roubo de celular, verificação de pertencimento a grupo rival, “sessão” de julgamento e execução a queima-roupa dentro do próprio colégio.
Entre os envolvidos, há menores e adultos. Dois adolescentes foram apreendidos e dois maiores presos. Um dos executores, conhecido como “Neguinho”, relatou que tudo foi articulado de forma quase militar. Uma mulher identificada pelas iniciais A.P.C. teria sido responsável por repassar a foto da vítima aos criminosos. Essa mulher também "puxou o gatilho", ao fazer a denúncia e entregar a fotografia à facção.
Essa não é uma história isolada. Cada vez mais, jovens de bairros periféricos entram para facções em idade escolar, seduzidos pela promessa de dinheiro, status e pertencimento — um “recrutamento” que compete com qualquer política pública mal executada. A escola, que deveria ser antídoto contra essa realidade, acaba se tornando terreno de guerra.
A pergunta que precisa ser feita é: quem permitiu que chegássemos a este ponto?
Município, Estado e União dividem a responsabilidade. Não faltam sinais de que as facções avançam sobre os jovens; faltam ações consistentes, políticas preventivas e presença real do Estado nas comunidades mais vulneráveis.
O resultado é uma geração perdida, formada não por professores, mas por líderes criminosos.
O caso de Alex Mariano — que também era atleta de base do River Atlético Clube — simboliza uma ferida aberta em Teresina. Ele tinha histórico no esporte, disciplina e sonhos. Mas, num território onde a lei das facções se impõe, nem o talento nem a dedicação foram suficientes para protegê-lo.
A morte de Marino dentro da própria escola não foi a primeira registrada em Teresina - e infelizmente -, não será a última. Se nada mudar, a próxima execução pode estar a apenas um intervalo de recreio de distância.





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