
Câmara dos Deputados aprovou, por uma ampla maioria de 15 votos a 1, a cassação do mandato do deputado Chiquinho Brazão (sem partido/RJ). Acusado de ser um dos mandantes do brutal assassinato da vereadora Marielle Franco, Brazão agora enfrenta a possibilidade de ser definitivamente expulso do Congresso Nacional, com a decisão final pendente de aprovação em plenário.
O caso, que já era emblemático por sua crueldade e covardia, ganhou contornos ainda mais perturbadores com as revelações da Procuradoria-Geral da República (PGR) e da Polícia Federal, que apontam não apenas o envolvimento de Brazão, mas também de seu irmão, Domingos Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro (TCE/RJ), como mentores intelectuais do crime. Ambos estão atualmente presos, aguardando o desenrolar das investigações.
Marielle Franco, teve uma execução sumária, que também tirou a vida do motorista, Anderson Gomes. Foi um ato de extrema violência que chocou não apenas a comunidade do Rio de Janeiro, mas todo o Brasil.
Durante a sessão do Conselho de Ética, transmitida por videoconferência diretamente da prisão, Chiquinho Brazão manteve-se na defensiva, clamando por sua inocência e afirmando ter sido amigo da vereadora assassinada. "Sou inocente, completamente inocente. Marielle era minha amiga. Nossas votações coincidiam, votávamos juntos", afirmou Brazão em um discurso que soou vazio frente às acusações e evidências apresentadas.
A relatora do caso, deputada Jack Rocha (PT/ES), não deixou dúvidas sobre a gravidade da situação ao afirmar que "a oposição de Marielle Franco às atividades ilegais das milícias, somada às suas propostas políticas, fornecem uma motivação clara para seu assassinato. A imputação de que Chiquinho Brazão é um dos mandantes desse crime hediondo é sustentada por evidências significativas".
Apesar das tentativas de defesa, que evocaram inclusive paralelos controversos com outros casos de suposta quebra de decoro, o destino de Chiquinho Brazão parece cada vez mais selado. O pedido de cassação, originalmente apresentado pelo PSOL, partido ao qual Marielle era filiada, destaca a gravidade do envolvimento do parlamentar em um crime que abalou profundamente o país e que continua a exigir justiça.
Enquanto o Brasil aguarda a votação final no plenário, o caso Marielle Franco se consolida como um dos mais cruéis e covardes atentados contra uma personalidade política na história da redemocratização do país, expondo as entranhas de uma violência sistêmica que ainda persiste nas sombras do poder.
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