
Juro que me animei quando soube da carta do advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, advogado aliado do Partido dos Trabalhadores — alguém que respirou poder, dormiu entre salamandras do Planalto e sobreviveu a três luas de mandato do Lula. Pensei: “Agora vamos ver algo profundo". Mas a surpresa foi aquela de sempre, igual pão amanhecido: já conhecido, mas ainda com gosto. O Kakay, com vocabulário de militante assíduo, acusou Bolsonaro de “fascismo” com a mesma naturalidade típica de quem desce de bermuda e chinelo no STF. Um show de irreverência jurídica — e de fidelidade ideológica.
O exímio criminalista — defensor de impolutos até enlameados — lança o Lula 3 como um presidente-prisioneiro do passado. O texto dispara que “não faz política”, que está “isolado”, “capturado” — frase tão pesada quanto um meme maluco que circula por grupos de WhatsApp. Mas também é aquele tipo de crítica que chega tarde: todos já sabem disso. O presidente virou lenda, mas perdeu o GPS político. É o chope sem sabor no bar decadente da democracia petista.
Kakay, sempre metido na roda dos poderosos, ainda se aventura na astrologia política e arrisca até data: “a prisão de Bolsonaro pode ser em setembro”. Estamos falando de política ou de horóscopo com brio jurídico?
No fim, Haddad é jogado no palco como o super-herói postiço, “preparado e gênio da geração”. Mas não convence. Soa mais ensaio promocional que rabisco político.
A carta — mais manifesto de fã-clube que estratégia — afirma sem aviso: Lula é símbolo da democracia... numa República que agora parece fetiche do autoritarismo. Censura, presos políticos, PF a serviço do partido e não do Estado... “Viva a democracia lulista!”, diz a ironia silenciosa sob um céu encoberto de pragmatismo.
Concluindo: o texto do Kakay só mostra dois fatos óbvios — o amor dele pelo PT e a saudade dos tempos em que o velho Lula era imbatível. Mas não entrega solução, estratégia ou esperança. Só samba de carta aberta, requintada mas sem alma.
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