
A imagem de probidade construída por décadas pelo médico José Pessoa Leal, o Dr. Pessoa como homem público dedicado já está às margens de um abismo. Após sua passagem pela Prefeitura de Teresina, o que sobrou foi um cenário de rombo bilionário, esquemas de corrupção tão escancarados quanto chocantes e um legado que ameaça cair por terra como um castelo de areia à primeira onda.
O rombo colossal
A gestão de Dr. Pessoa — que recebeu da população o voto de confiança para administrar um orçamento de R$ 5,4 bilhões — agora é acusada de deixar um déficit que não cabe na retórica. O atual prefeito Sílvio Mendes chegou a afirmar que o rombo ultrapassa os R$ 3 bilhões. Estimativas alternativas, como a da imprensa local TeresinaDiario, apontam para números ainda maiores, em torno de R$ 3,67 bilhões.
Enriquecimento suspeito e desmandos internos
Enquanto os cofres da prefeitura se esvaziavam, assessores e ex-secretários parecem ter ganhado asas financeiras da noite para o dia. O ex-vice-prefeito e ex-secretário de Finanças, Robert Rios Magalhães, foi enfático na CPI que investiga o rombo: “roubalheira era regra” na gestão, com alertas sendo ignorados e denúncias punidas com isolamento.
Esquema de multas apagadas que dá calafrios
Se o rombo em cifras já choca, o episódio da Operação Reset escancara o uso da máquina pública para interesses escusos. Entre fevereiro e junho de 2024, servidores e terceirizados da Strans — suspeitamente guiados por conexões familiares de Dr. Pessoa — cancelaram ilegalmente de 2.215 a 2.419 multas, provocando um prejuízo de até R$ 500 mil.
Resultado revelado pela “Operação Reset”:
Foram retirados 12.393 pontos das carteiras de habilitação.
O esquema envolveu o sobrinho de Dr. Pessoa, Bruno Pessoa, como ex-superintendente da Strans, além de seu gerente de trânsito e um servidor comissionado foragido.
Detalhes revelam que 1.628 multas foram canceladas por Lucas da Rocha Lima, causando um prejuízo só dele de R$ 367.486,64, muitas fora do horário de expediente — e sem pedido formal.
A Operação fez afastar Bruno Pessoa e Daniel Araújo da Strans, por determinação judicial.
Não é só um número: são infrações que não foram registradas, receitas que evaporaram — e um sistema de trânsito que perdeu credibilidade.
O favorecimento nas bolsas de Medicina
À pilha de acusações soma-se um capítulo ainda mais revoltante: o suposto favorecimento na distribuição de bolsas para o curso de Medicina. Segundo denúncias levadas à CPI, cinco bolsas integrais da Faculdade Uni CET teriam sido entregues a parentes e aliados diretos de Dr. Pessoa — incluindo sua esposa, sobrinha e um sobrinho — sem vestibular ou processo seletivo transparente. As vagas, segundo as acusações, teriam sido “pagas” com a permissão para que a instituição utilizasse a rede pública de saúde de Teresina como campo de estágio, criando um ciclo de benefício privado à custa do interesse coletivo.
A pior herança: o descrédito na política
Dr. Pessoa, o comandante em chefe da prefeitura, agora se vê isolado em meio a denúncias ditas por um dos seus colaboradores mais próximos. À CPI, Robert Rios trouxe depoimentos que colocam a figura do prefeito mais como espectador do que como gestor. Há, no mínimo, omissão — no máximo, conivência.
Perguntas que não podem ficar sem resposta
Empréstimos milionários
Robert Rios falou também sobre emprétimos: "Os empréstimos não são necessariamente um 'rombo', mas o que a Prefeitura faz com o dinheiro deles é que pode ser [discutido]".
Até quando o parlamento municipal aceitará dois pesos e duas medidas, enquanto casos como este se diluem no tempo?
A CPI do Rombo tem um papel crucial aqui — e a sociedade exige respostas. Dr. Pessoa diz que é probo e que “quem praticou a danação deve ser responsabilizado”. Mas o comandante que não agiu diante dos alertas responde sim por esse naufrágio.
E o castelo de areia está desmoronando.
Dr. Pessoa foi procurado pela mídia para comentar as acusações de Robert Rios, mas preferiu não se pronunciar sobre o caso. Entretanto, o Gazeta Hora1 disponibiliza desde já espaço para que o prefeito, sua esposa ou mesmo sua defesa jurídica prestem os devidos esclarecimentos.
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