
O mundo vive uma ebulição ideológica sem precedentes. Mas não se engane: essa movimentação não é um sinal de progresso, tampouco um despertar político da humanidade. Ao contrário, é um alerta vermelho piscando para todos os que ainda acreditam na democracia como valor inegociável. O que está em curso é uma virada sombria. As tiranias já são maioria no planeta.
Essa constatação não é chute alarmista de boteco nem discurso de palanque. São dados científicos, coletados pelo respeitado Instituto V-Dem, ligado à Universidade de Gotemburgo, na Suécia. O Relatório da Democracia 2025 revelou um dado estarrecedor: pela primeira vez em décadas, há mais autocracias do que democracias no mundo. Em números: 91 países vivem sob regimes autocráticos, contra apenas 88 democracias. E mais chocante: 72% da população mundial - ou seja, quase 6 bilhões de pessoas - estão hoje sob governos autoritários.
A autocracia não se apresenta com farda, tanques ou censura explícita logo de cara. Ela vem disfarçada de “governo popular”, “justiça social” ou “necessidade de regulação”. Mas, por trás do verniz retórico, o que se instala é o controle total, a eliminação da crítica, a perseguição de opositores e a transformação da imprensa em braço auxiliar do poder.
E o mais intrigante: quem dá suporte a esses regimes muitas vezes são justamente os setores que deveriam defender a liberdade. Professores universitários, juristas, jornalistas e até empresários embarcam no barco furado da “luta contra o neoliberalismo” e ajudam a instalar ditaduras modernas, revestidas de discurso progressista. Como explicar isso? Ingenuidade? Fanatismo? Medo de perder privilégios? Ou seria o velho e eficaz consórcio entre partidos de esquerda, mídia militante e Judiciário militante, que sufoca qualquer contraponto e transforma crítica em “discurso de ódio”?
Basta olhar em volta. No país do “Lulismo”, há um Poder Executivo que acena para regimes autocráticos mundo afora - e que se incomoda mais com um post em rede social do que com a censura em Cuba, a repressão na Nicarágua ou a fome na Venezuela. E o pior: grande parte da opinião pública aplaude. Em nome de uma falsa luta contra o “fascismo”, se entrega a um autoritarismo com cara de festinha universitária.
Se nada mudar, caminhamos para um planeta onde votar será permitido, desde que você vote certo. Onde liberdade de expressão existirá, desde que você diga o que eles querem ouvir. Um mundo onde a democracia será só uma palavra bonita em discursos de abertura da ONU - enquanto os bastidores são regidos com punhos de ferro e algoritmos de censura.
O avanço da autocracia não é uma fatalidade inevitável. Mas para detê-la, será preciso mais do que slogans. Será preciso coragem para enfrentar o pensamento único, inteligência para romper com o populismo autoritário, e principalmente, vontade de defender a liberdade mesmo quando ela não favorece seus próprios interesses.
Se a democracia morrer, não será por falta de aviso. Será por conivência.
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