
Enquanto parte da militância petista, a chamada “companheirada” e setores da mídia alinhada insistem em negar a realidade — ou até atacam quem ousa criticar com lucidez —, o próprio presidente Lula tem sido claro sobre os reais objetivos de seu governo e da esquerda latino-americana. Em recente evento no Chile, ao lado de líderes de viés autoritário, Lula afirmou: “cumprir o ritual eleitoral a cada quatro ou cinco anos não é mais suficiente”. A frase, dita durante o encontro “Democracia Siempre”, soou como um alerta preocupante para quem ainda acredita nos pilares democráticos.
É no mínimo contraditório que Lula, um político que construiu sua trajetória graças às urnas, agora questione justamente o processo eleitoral. Mais grave ainda é o contexto: um consórcio informal entre Executivo e Judiciário no Brasil, que vem minando a separação de Poderes e ampliando os sinais de retrocesso democrático.
Segundo a Coluna Cláudio Humberto, do portal Diário do Poder, Lula não apenas sugeriu a superação da democracia liberal como modelo, como também criticou abertamente os partidos políticos e o sistema representativo: “a democracia liberal não foi capaz de responder aos anseios contemporâneos”, disse, insinuando que o modelo vigente estaria ultrapassado.
Esse tipo de discurso não é novidade entre líderes alinhados com o chamado “socialismo do século XXI”, que flerta com o autoritarismo em nome de um suposto bem maior. A retórica usada por Lula lembra, e muito, as falas de Nicolás Maduro e Daniel Ortega, líderes da Venezuela e da Nicarágua - regimes marcados por censura, perseguição política e eleições de fachada.
O Brasil ainda é uma democracia, mas a cada fala como essa, um tijolo parece ser colocado no muro que separa o país da plena liberdade. Resta saber quantos ainda preferirão fechar os olhos enquanto esse muro cresce - silencioso, mas firme.
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