
O Brasil está à deriva. E não é apenas um tropeço conjuntural: é um projeto de fracasso em execução. Uma política econômica míope, assistencialista na superfície e predatória na essência, que corrói as forças produtivas, sufoca a iniciativa privada e transforma milhões de pobres em miseráveis - ao mesmo tempo em que engorda os cofres de uma elite política insaciável.
Os números não mentem. O que dói é a nossa incapacidade de encará-los.
O PIB per capita brasileiro despencou para a 87ª posição mundial, de acordo com as últimas projeções do FMI. O país está a apenas nove degraus da metade mais pobre do planeta - e, se nada mudar, chegará a apenas seis posições dessa metade em 2030. É uma queda livre.
O quadro é ainda mais cruel quando olhamos para o passado recente. No início dos anos 2000, o Brasil estava 21 posições acima dessa metade inferior. Em 1991, o brasileiro produzia tanto quanto um sul-coreano; hoje, menos da metade. Os emergentes que antes nos olhavam de baixo já nos ultrapassaram: Polônia, Turquia, Chile, Malásia, Vietnã.
Em 1980, a média do PIB per capita dos países emergentes era apenas 31% do brasileiro. Hoje já são 78% — e em seis anos devem ser 82%. Enquanto outros correm, o Brasil recua, como um caranguejo sem destino.
E por quê?
Porque o Brasil escolheu o caminho errado. O país que já sonhou em ser uma potência industrial se contentou em virar um exportador de commodities. O governo que deveria investir em educação e tecnologia distribui esmolas e discursos. A gestão econômica que deveria estimular o crescimento e a produtividade prefere elevar impostos, aumentar o peso do Estado e travar a iniciativa privada com burocracia e insegurança jurídica.
A educação está em frangalhos. O Brasil continua entre os últimos colocados no Pisa, humilhado entre as maiores economias do mundo. A saúde pública agoniza em filas intermináveis e hospitais caindo aos pedaços. A tecnologia é irrelevante: o Brasil importa inovação e exporta matéria-prima bruta.
A violência se tornou uma guerra civil não declarada. Facções criminosas dominam bairros, cidades e até estados inteiros, substituindo o Estado no uso da força. O crime se organiza, enquanto o governo se desorganiza.
E o emprego? É cada vez mais informal, cada vez mais precarizado, cada vez mais escasso. Uma legião de trabalhadores sem carteira assinada, sem direitos, sem perspectivas.
O povo brasileiro está sendo empurrado de volta para a miséria que pensava ter superado. Famílias inteiras sobrevivem de auxílios enquanto o governo queima bilhões para sustentar privilégios do funcionalismo e negociatas políticas.
O que resta ao Brasil?
Resta o sonho que, apesar de tudo, ainda sobrevive. Mas até ele está ficando distante. O país que já foi esperança agora é um alerta: é assim que se começa a venezuelização.
Quando o governo prefere a demagogia ao desenvolvimento.
Quando a educação é ignorada.
Quando o emprego é substituído por esmola.
Quando o crime avança e a lei recua.
Quando o Estado sufoca quem produz e protege quem parasita.
O Brasil já não é só o país do futuro adiado. É o país do presente negado.
E cabe a todos nós perguntar: até quando vamos tolerar esse caminho? Até quando vamos aceitar a mediocridade como destino? Até quando o maior país da América do Sul vai se comportar como a menor das repúblicas bananeiras?
Porque um país que perde suas referências não apenas empobrece. Ele se apaga.
E isso não podemos permitir.
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