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Saúde VIDA

Metade dos médicos consideraria eutanásia para si em caso de câncer ou Alzheimer

Estudo internacional revela que legislação local e crença religiosa influenciam diretamente as decisões dos profissionais de saúde sobre cuidados no fim da vida

23/06/2025 às 08h00 Atualizada em 24/06/2025 às 08h12
Por: Wagner Albuquerque
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Imagem: Reprodução
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Uma pesquisa publicada pelo Journal of Medical Ethics revelou que cerca de metade dos médicos entrevistados em oito países e regiões consideraria a morte assistida ou a eutanásia caso fossem diagnosticados com câncer avançado ou doença de Alzheimer. A maioria dos profissionais consultados demonstrou preferência por medidas de alívio dos sintomas em vez de tratamentos que apenas prolongam a vida em casos terminais. A sondagem incluiu médicos de família, paliativistas e especialistas de áreas como oncologia e terapia intensiva.

O estudo analisou 1.157 respostas válidas de médicos atuantes em locais com legislações distintas sobre morte assistida, como Bélgica, Canadá, Itália, Estados Unidos (Oregon, Wisconsin, Geórgia) e Austrália (Victoria e Queensland). A legislação vigente teve impacto direto nas respostas: onde a prática é legal, os profissionais mostraram até três vezes mais propensão a considerar eutanásia ou suicídio assistido como opções muito boas. Já em locais onde essas práticas são proibidas, como Itália e Geórgia, a adesão foi significativamente menor.

A maioria dos entrevistados (mais de 90%) considerou intensificar o alívio dos sintomas como uma opção adequada em situações de fim de vida. No entanto, a eutanásia foi vista como opção boa ou muito boa por mais da metade dos médicos — 54% no caso de câncer e 51,5% para Alzheimer — com destaque para a Bélgica, onde esse índice chega a 81% e 67,5%, respectivamente. Em contrapartida, a sedação paliativa teve menor aceitação em locais onde o suicídio assistido é ilegal.

Outro fator que influenciou as respostas foi a religiosidade dos profissionais. Médicos não religiosos foram significativamente mais favoráveis à eutanásia (72%) e ao suicídio assistido (65%) do que os médicos com fé arraigada (40% e 38%, respectivamente). Para os autores, o estudo aponta a necessidade de refletir sobre práticas clínicas atuais, especialmente considerando que a maior parte dos médicos prefere opções paliativas para si mesmos, embora a realidade nos sistemas de saúde ainda privilegie tratamentos prolongados em muitos casos terminais.

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