
O governo Lula, por meio de decreto publicado na sexta-feira (23 de maio), aumentou as alíquotas do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) aplicadas a algumas modalidades de crédito. Com isso, segundo estimativas da RC Consultores, a arrecadação pode subir 122% apenas com esse imposto, provocando efeitos diretos no custo do crédito, na atividade econômica e no bolso do consumidor e do empresário.
De fato, dias antes, o próprio secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Gabriel Galípolo, havia dito ser contra o aumento do IOF. Isso gerou expectativa de que o governo teria recuado.
No entanto, o decreto foi assinado à surdina, surpreendendo até membros do Congresso. Isso gerou críticas de "jogo duplo" por parte do governo, que teria dito uma coisa publicamente e feito outra nos bastidores. O movimento foi visto como manobra arrecadatória disfarçada de ajuste técnico.
O IOF é um imposto de competência da União, ou seja, o presidente da República pode alterar suas alíquotas por decreto, sem precisar passar pelo Congresso. Ainda assim, parlamentares podem tentar anular o decreto via Projeto de Decreto Legislativo (PDL), como fez o deputado André Fernandes (PL/CE).
Para barrar a medida, seria necessária mobilização política no Congresso, o que no momento parece improvável, dada a base de apoio do governo e o desinteresse de figuras como Hugo Motta (Rep/PB) em peitar o Planalto de verdade, apesar de suas críticas públicas.
O aumento do IOF afeta diretamente o custo do crédito, pois ele é cobrado sobre operações como:
Empréstimos pessoais
Financiamentos de empresas
Cartões de crédito rotativo
Seguro, câmbio e investimentos estrangeiros
Segundo a RC Consultores:
A taxa efetiva do crédito deve subir de 26,4% para 34,7% ao ano - um salto de 31,5%.
Isso torna o crédito mais caro e menos acessível, especialmente para pequenas e médias empresas e famílias endividadas.
Setores com margens apertadas, como o varejo (ex: Magalu) e as seguradoras, serão especialmente atingidos. Essas empresas dependem fortemente de crédito para manter estoques e fluxo de caixa.
Embora o governo ainda não tenha divulgado uma projeção oficial, a estimativa da RC Consultores é que a arrecadação aumente 122% apenas com o IOF - o que pode representar bilhões de reais extras para os cofres públicos.
Essa elevação ocorre em meio ao esforço do ministro Fernando Haddad de aumentar a receita sem a criação de novos impostos — mas reclassificando tributos existentes para usá-los como ferramenta arrecadatória, o que viola o princípio original do IOF, que deveria ser regulatório e não fiscal.
Críticos acusam o governo de falta de transparência e incoerência política:
Publicamente, rejeita novos impostos, mas aumenta alíquotas silenciosamente.
Defende o “crédito barato”, mas encarece o custo do financiamento.
Alega querer ajudar micro e pequenas empresas, mas penaliza justamente os setores mais sensíveis ao custo do crédito.
Além disso, o governo vem aumentando os gastos, inclusive com viagens e estrutura administrativa, o que pressiona a necessidade de arrecadação.
O impacto na vida real será:
Empréstimos mais caros
Aumento no preço de produtos financiados (como eletrodomésticos, veículos, serviços)
Maior dificuldade para empresas obterem crédito e manterem empregos
Redução no poder de compra da população, que já enfrenta juros altos e inflação persistente
O aumento do IOF representa mais um peso tributário disfarçado, feito sem debate público e em contradição com o discurso oficial. A medida pode render bilhões aos cofres da União, mas custa caro para o crédito, para o consumo e para a confiança dos empresários. A reação da sociedade e do Congresso será decisiva para definir se esse aumento vai vingar - ou se cairá por pressão política.
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