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Política CECOT

Moro anuncia “Presídio El Salvador” após encontro com ministro de Bukele

Candidato ao Governo do Paraná aposta no modelo salvadorenho de segurança e promete uma estrutura de segurança máxima para enfrentar o crime organizado

31/08/2026 às 07h53
Por: Douglas Ferreira
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Moro, Gustavo Villatoro e Flávio Bolsonaro - Foto: Reproddução
Moro, Gustavo Villatoro e Flávio Bolsonaro - Foto: Reproddução

A criminalidade no Brasil alcançou níveis que exigem uma resposta à altura da gravidade do problema. Já passou da hora de o país encarar o crime de frente e em várias frentes. E uma delas, sem dúvida, é o encarceramento de criminosos em estruturas capazes de impedir que facções continuem comandando seus negócios de dentro das prisões. É nesse contexto que o modelo de El Salvador entra no debate brasileiro. O CECOT, símbolo da política de segurança de Nayib Bukele, tornou-se referência internacional, embora também seja alvo de críticas e denúncias sobre violações de direitos.

É justamente essa experiência que Sergio Moro quer levar para o Paraná. O candidato ao Governo do Estado se reuniu neste domingo (30), em São Paulo, com Flávio Bolsonaro e com Gustavo Villatoro, ministro da Justiça e Segurança Pública de El Salvador. Depois do encontro, Moro anunciou que o presídio estadual de segurança máxima que pretende construir, caso seja eleito, será chamado de “Presídio El Salvador”, em referência ao modelo de Bukele.

A ideia apresentada por Moro parte de uma premissa direta: o Estado precisa ser mais organizado e mais forte do que o crime organizado. Em sua declaração, o candidato afirmou: “No Paraná, o crime organizado vai encontrar um Governo mais organizado e mais forte do que ele.” A proposta coloca o sistema penitenciário no centro da estratégia de enfrentamento às facções, especialmente para criminosos de alta periculosidade.

O movimento também se conecta ao plano nacional apresentado por Flávio Bolsonaro. Após o encontro com Villatoro, o senador defendeu ampliar o encarceramento e criar 500 mil novas vagas no sistema prisional brasileiro, além de cinco presídios federais de segurança máxima inspirados no CECOT. O plano também prevê maior integração entre as forças de segurança e mudanças na legislação penal.

A experiência salvadorenha, porém, não pode ser analisada apenas pelo número de presos ou pela imagem de um presídio gigantesco. O modelo de Bukele combina encarceramento em larga escala, endurecimento penal, forte atuação policial e um regime de exceção. O governo de El Salvador atribui a essa estratégia a queda acentuada dos homicídios, enquanto organizações de direitos humanos denunciam prisões arbitrárias, tortura e outras violações.

É justamente aí que está o debate que Moro leva para o Paraná: até onde o Brasil está disposto a ir para recuperar o controle sobre territórios e organizações criminosas? A discussão não é apenas construir presídios. É impedir que chefes de facções continuem comandando tráfico, extorsões, homicídios e lavagem de dinheiro de dentro das próprias cadeias.

O “Presídio El Salvador”, portanto, nasce como uma proposta de forte impacto político e simbólico. Moro tenta transformar o sistema penitenciário em uma das principais ferramentas de sua política de segurança e importar para o Paraná uma experiência que divide opiniões, mas que passou a ocupar espaço central no debate internacional sobre combate ao crime organizado.

A questão agora é saber se o modelo salvadorenho poderá ser adaptado à realidade brasileira, dentro da Constituição e das garantias legais. Porque uma coisa é certa: diante da força das facções, simplesmente prender e deixar o criminoso continuar comandando sua organização de dentro da cadeia deixou de ser uma resposta suficiente. O desafio é fazer da prisão, de fato, um lugar onde o crime organizado perca poder.

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