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INSS começa a receber hoje pedidos de ressarcimento por descontos irregulares

Mais de 9 milhões de aposentados e pensionistas podem solicitar devolução de valores cobrados sem autorização; escândalo envolve R$ 6,3 bilhões e expõe falhas graves na Previdência

14/05/2025 às 08h29
Por: Douglas Ferreira
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O consórcio criminoso do INSS fraudou mais de 9 milhões de velhinhos - Foto: Reprodução
O consórcio criminoso do INSS fraudou mais de 9 milhões de velhinhos - Foto: Reprodução

O que aconteceu?

Um esquema criminoso de descontos não autorizados em aposentadorias e pensões do INSS atingiu mais de 9 milhões de beneficiários em todo o Brasil. As deduções foram feitas por associações e sindicatos em conluio com servidores públicos, em especial dentro do próprio INSS.

  • Os descontos eram lançados como “contribuições associativas”, sem autorização dos beneficiários.

  • O rombo estimado é de R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024, segundo a Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União (CGU).

  • Os prejuízos ocorreram ao longo de vários governos, com indícios de que o esquema começou ainda no governo Dilma Rousseff.

  • O ex-ministro Paulo Bernardo, ex-marido da atual ministra Gleisi Hoffmann (PT), é citado nas investigações como possível articulador de parte da engrenagem fraudulenta - o que reacende velhas suspeitas sobre sua atuação no setor de benefícios e consignados.

  • Um dos casos mais graves de desvio de dinheiro dos velhinhos do INSS envolve associação que tem José Ferreira da Silva, o Frei Chico, irmão do presidente Lula, como vice-presidente. A oposição suspeita de que Frei Chico esteja sendo poupado pelas investigações.

De onde virá o dinheiro para ressarcir os aposentados?

O governo prometeu a devolução dos valores descontados indevidamente, mas ainda não explicou claramente de onde sairá o dinheiro. Até o momento:

  • O ressarcimento será feito pelas entidades que não comprovarem autorização para os descontos.

  • O governo estipulou 15 dias úteis para as associações apresentarem documentos que comprovem autorização.

  • Caso não comprovem, terão mais 15 dias úteis para reembolsar os valores ao governo, que os repassará diretamente aos beneficiários.

  • A data exata da devolução ainda não foi anunciada, pois dependerá do fechamento da folha de pagamento.


Como saber se você foi prejudicado?

  1. Acesse o aplicativo “Meu INSS” ou ligue para o telefone 135.

  2. Veja a notificação: "Foi identificado desconto de entidade associativa em seu benefício. A partir de amanhã você poderá informar se autorizou ou não por meio do Meu INSS ou ligue 135".

  3. Caso não tenha autorizado o desconto, solicite o reembolso diretamente pelo app ou telefone - não é necessário apresentar documentos adicionais.

  4. Use o serviço “Consultar Descontos de Entidades Associativas” para saber o nome da associação envolvida e o período dos descontos.

Suspensão dos acordos e demissões

Após a deflagração da operação da PF:

  • O governo suspendeu todos os convênios com entidades associativas.

  • O então presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, foi afastado por ordem judicial e demitido por Lula.

  • Dias depois, o ministro da Previdência, Carlos Lupi, pediu demissão.

Crise política e impacto na popularidade de Lula

O escândalo tem um alto custo político para o governo Lula, que já sofre com:

  • Desgaste na credibilidade institucional do INSS e de órgãos públicos.

  • Queda acelerada na popularidade presidencial, com Lula registrando os piores índices de aprovação desde seu retorno ao Planalto.

  • A percepção pública é de que o governo demorou a agir, e só tomou medidas após a pressão da mídia e das investigações.

Consequências jurídicas e possíveis responsabilizações

  • As investigações continuam sob comando da Polícia Federal e CGU, com apoio do Ministério Público Federal (MPF).

  • Centenas de sindicatos e associações poderão responder judicialmente e serão obrigadas a devolver recursos.

  • Servidores públicos envolvidos podem ser exonerados, processados e presos.

  • A possível implicação de figuras históricas do PT reacende debates sobre corrupção institucionalizada e uso político de entidades de classe.

Um golpe contra os mais frágeis

O que mais choca neste escândalo é o alvo da fraude: os idosos. Muitos não sabiam que estavam sendo descontados, não dominavam aplicativos ou não tinham meios de reclamar. Foram lesados em silêncio - por anos.

A devolução é um ato necessário, mas tardio, e não isenta o governo de sua responsabilidade moral, ética e administrativa.

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