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Cultura O BRASIL TEM COR

A camisa vermelha da Seleção: um golaço contra a identidade nacional

Suposta mudança promovida pela Nike e tolerada pela CBF acende alerta sobre o uso político dos símbolos nacionais - e até a esquerda já percebe o risco do tiro sair pela culatra

29/04/2025 às 13h10 Atualizada em 29/04/2025 às 14h31
Por: Douglas Ferreira
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A camisa vermelha da seleção não encontra consenso nem mesmo dentro da esquerda - Foto: Reprodução
A camisa vermelha da seleção não encontra consenso nem mesmo dentro da esquerda - Foto: Reprodução

Numa jogada que ninguém pediu - e que poucos entenderam -, a Nike resolveu substituir a tradicional camisa azul da Seleção Brasileira por uma versão vermelha. Vermelha. Em pleno 2025. Não é coincidência. É provocação. É política. E, convenhamos, é burrice.

Por décadas, a camisa da Seleção foi mais do que um uniforme esportivo - foi um símbolo nacional, algo que nos representava dentro e fora de campo. O verde-amarelo virou sinônimo de Brasil, mesmo quando o país desmoronava fora das quatro linhas. Já a azul, camisa reserva desde 1958, carrega glórias como o título contra a Suécia. Agora, vem a Nike, gigante bilionária americana, com aval não declarado da CBF, querer nos empurrar um vermelho ideológico goela abaixo. Com que autoridade? Com qual respaldo?

A pergunta é legítima: quem autorizou essa mudança? Foi a Confederação Brasileira de Futebol? O Congresso? O Palácio do Planalto? A Constituição Federal não trata diretamente do uniforme da Seleção, mas a Lei nº 12.299/2010 estabelece que símbolos esportivos nacionais devem guardar relação com a identidade do país. E a identidade do Brasil - goste ou não - nunca foi vermelha. Nunca.

Aliás, não custa lembrar: vermelha foi a cor que simbolizou ditaduras de esquerda e regimes autoritários que aboliram símbolos nacionais para impor ícones partidários. A Alemanha nazista - o nome completo do partido era Nacional-Socialista - aboliu sua bandeira tradicional e impôs a suástica. O comunismo soviético trocou a tricolor czarista pela foice e o martelo. A China, a Coreia do Norte, Cuba: todas apagam o passado para pintar o presente de vermelho.

Será esse o espírito da nova camisa? Um ensaio para apagar o azul, depois o verde e o amarelo, e então o próprio significado da Seleção como símbolo de unidade nacional?

A reação foi imediata. Políticos da oposição, como Flávio Bolsonaro, classificaram a mudança como "afronta à identidade do povo brasileiro". Mas a surpresa veio do próprio governo: até o líder do governo Lula no Congresso, senador Randolfe Rodrigues, rechaçou a camisa vermelha. "Qualquer cor diferente do verde, amarelo, branco e azul não se justifica", escreveu nas redes sociais. Para um petista de longa data, foi quase um pedido de socorro eleitoral.

A esquerda mais radical, claro, tentou lacrar. A deputada Natália Bonavides celebrou com o número 13 nas costas - porque, para ela, até futebol tem que ter hashtag ideológica. Mas o povo, esse sim, não comprou a ideia. E já começa a dar sinais de que está cansado do sequestro simbólico de tudo o que é nacional.

Essa camisa vermelha é mais que uma peça de roupa. É um experimento político disfarçado de marketing. Uma tentativa de apagar símbolos tradicionais com a desculpa de que "o verde-amarelo foi apropriado pela direita". Ora, se a camisa foi sequestrada, que se resgate - não que se destrua.

O Brasil não precisa de uma nova cor para a Seleção. Precisa de respeito à sua história. E de um futebol que una, não divida. A camisa vermelha, nesse caso, não representa mudança - representa rendição.

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Luís carlos saraiva Há 1 ano São Luís Perfeito. Concordo plenamente. Talvez fosse melhor mudar a cor das togas ministros do STJ, assim ficariam melhores.
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A NOTÍCIA E O FATO
A NOTÍCIA E O FATO
Sobre Douglas Ferreira é multimídia. Além de jornalista, é bacharel em Direito. Foi repórter da TV Clube, afiliada da Rede Globo, por 10 anos e, em Caxias, no Maranhão, apresentou o programa “Fala Caxias”. Fundou e dirigiu por seis anos a Folha do Cocais. Foi secretário de Comunicação da Prefeitura de Caxias e retornou a Teresina como âncora da TV Meio Norte. Por 20 anos, reportou e apresentou na TV Antena 10, afiliada da Record. Também foi assessor de imprensa do Tribunal de Justiça do Piauí e passou por rádios e pelos maiores portais do Estado. Sua vida é o jornalismo. No Sistema Move de Comunicação, foi editor do Portal Move Notícias e apresentador do Business Cast, do canal movetvweb no YouTube. Agora, está à frente do Gazeta Hora1.
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