
Numa jogada que ninguém pediu - e que poucos entenderam -, a Nike resolveu substituir a tradicional camisa azul da Seleção Brasileira por uma versão vermelha. Vermelha. Em pleno 2025. Não é coincidência. É provocação. É política. E, convenhamos, é burrice.
Por décadas, a camisa da Seleção foi mais do que um uniforme esportivo - foi um símbolo nacional, algo que nos representava dentro e fora de campo. O verde-amarelo virou sinônimo de Brasil, mesmo quando o país desmoronava fora das quatro linhas. Já a azul, camisa reserva desde 1958, carrega glórias como o título contra a Suécia. Agora, vem a Nike, gigante bilionária americana, com aval não declarado da CBF, querer nos empurrar um vermelho ideológico goela abaixo. Com que autoridade? Com qual respaldo?
A pergunta é legítima: quem autorizou essa mudança? Foi a Confederação Brasileira de Futebol? O Congresso? O Palácio do Planalto? A Constituição Federal não trata diretamente do uniforme da Seleção, mas a Lei nº 12.299/2010 estabelece que símbolos esportivos nacionais devem guardar relação com a identidade do país. E a identidade do Brasil - goste ou não - nunca foi vermelha. Nunca.
Aliás, não custa lembrar: vermelha foi a cor que simbolizou ditaduras de esquerda e regimes autoritários que aboliram símbolos nacionais para impor ícones partidários. A Alemanha nazista - o nome completo do partido era Nacional-Socialista - aboliu sua bandeira tradicional e impôs a suástica. O comunismo soviético trocou a tricolor czarista pela foice e o martelo. A China, a Coreia do Norte, Cuba: todas apagam o passado para pintar o presente de vermelho.
Será esse o espírito da nova camisa? Um ensaio para apagar o azul, depois o verde e o amarelo, e então o próprio significado da Seleção como símbolo de unidade nacional?
A reação foi imediata. Políticos da oposição, como Flávio Bolsonaro, classificaram a mudança como "afronta à identidade do povo brasileiro". Mas a surpresa veio do próprio governo: até o líder do governo Lula no Congresso, senador Randolfe Rodrigues, rechaçou a camisa vermelha. "Qualquer cor diferente do verde, amarelo, branco e azul não se justifica", escreveu nas redes sociais. Para um petista de longa data, foi quase um pedido de socorro eleitoral.
A esquerda mais radical, claro, tentou lacrar. A deputada Natália Bonavides celebrou com o número 13 nas costas - porque, para ela, até futebol tem que ter hashtag ideológica. Mas o povo, esse sim, não comprou a ideia. E já começa a dar sinais de que está cansado do sequestro simbólico de tudo o que é nacional.
Essa camisa vermelha é mais que uma peça de roupa. É um experimento político disfarçado de marketing. Uma tentativa de apagar símbolos tradicionais com a desculpa de que "o verde-amarelo foi apropriado pela direita". Ora, se a camisa foi sequestrada, que se resgate - não que se destrua.
O Brasil não precisa de uma nova cor para a Seleção. Precisa de respeito à sua história. E de um futebol que una, não divida. A camisa vermelha, nesse caso, não representa mudança - representa rendição.
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