
O ministro da Previdência, Carlos Lupi, atolado em uma onda de acusações de fraude dentro da sua própria pasta, recebeu nesta segunda-feira (28) mais uma denúncia - e, desta vez, promete encaminhá-la à Polícia Federal. A revelação foi feita durante reunião do Conselho Nacional de Previdência Social (CNPS), quando a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) denunciou a cobrança indevida de taxas abusivas contra aposentados.
Curiosamente, Lupi ignorou as denúncias anteriores de descontos ilegais aplicados por sindicatos e associações na folha dos aposentados, mesmo diante de operações da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União que já haviam confirmado o esquema. O ministro não instaurou sindicância interna, não acionou a Polícia Federal na época e nem sequer oficiou os sindicatos cobrando explicações. Também não descredenciou as entidades suspeitas de surrupiar o dinheiro dos beneficiários.
A nova denúncia se refere à antecipação salarial de até R$ 450 - um "vale" autorizado por Lupi em novembro de 2024, por meio da Instrução Normativa 175. A norma não previa cobrança de juros, mas, segundo a Febraban e conselheiros do CNPS, aposentados estariam sendo extorquidos com taxas que chegam a 20%. Um juro maior que o de agiota.
Questionado durante a reunião, Lupi exigiu provas - um comportamento que contrasta com sua passividade diante das fraudes anteriores. Só agora, diante da pressão pública, prometeu encaminhar a nova denúncia à Polícia Federal.
A omissão do ministro diante dos primeiros escândalos levanta suspeitas inevitáveis: por que Lupi não reagiu antes? Qual o motivo de não ter agido quando os primeiros casos vieram à tona? Teria o ministro alguma relação com o esquema criminoso que sangrou milhares de aposentados e pensionistas?
Até agora, nenhuma resposta convincente foi dada.
Enquanto isso, o dinheiro suado de quem depende da Previdência continua sendo alvo de esquemas que crescem sob o nariz - ou com a conivência - das autoridades. Já passou da hora do governo vir a público prestar as devidas explicações à sociedade brasileira.
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