Segunda, 13 de Julho de 2026
29°

Parcialmente nublado

Teresina, PI

Brasil ROTEIRO TRAGICÔMICO

Queda sem fim: a prisão de João Ricardo Mendes, ex-CEO do Hurb, expõe um personagem à deriva

Da fundação de um império turístico ao flagrante por furto de obras de arte, a trajetória de João Ricardo Mendes revela a derrocada de um empresário marcado por escândalos, processos judiciais e agora, crime comum

26/04/2025 às 18h09
Por: Douglas Ferreira
Compartilhe:
João Ricardo Mendes - Foto: Reprodução
João Ricardo Mendes - Foto: Reprodução

Quem é João Ricardo Mendes?

João Ricardo Rangel Mendes, 44 anos, construiu fama no mercado brasileiro ao fundar, em 2011, o Hurb (antigo Hotel Urbano), uma plataforma de viagens que rapidamente virou referência no setor. Mas seu nome, antes associado à inovação no turismo, passou a ser sinônimo de controvérsia e má gestão.

A derrocada começou com o acúmulo de queixas de clientes: pacotes vendidos sem garantia de hospedagem, voos cancelados, hotéis precários e, em muitos casos, prejuízo financeiro direto. Com milhares de ações judiciais acumuladas - mais de 34 mil até abril de 2025 -, o Hurb perdeu o prestígio e, recentemente, teve o site retirado do ar por decisão da Justiça.

João Ricardo deixou o cargo de CEO em 2023, pressionado por polêmicas internas, incluindo insultos dirigidos a consumidores em grupos de WhatsApp. Apesar da renúncia formal, continuou atuando nos bastidores, sendo associado a demissões em massa dentro da empresa.

Em 2025, seu nome volta às manchetes, agora ligado a um crime tipicamente ordinário: furto.

Como foi o furto?

A prisão de João Ricardo Mendes ocorreu na sexta-feira (25/4), no Rio de Janeiro, em uma cena digna de um roteiro tragicômico.
Segundo a Polícia Civil (PC-RJ), o empresário furtou obras de arte de um hotel de luxo e de um shopping center na Barra da Tijuca. As investigações revelaram que Mendes utilizava uma motocicleta (sem placa) para cometer os crimes, retirando esculturas e quadros de um escritório de arquitetura e do hotel.

Registro do ato da prisão de João Ricardo - Foto: Reprodução

Avaliação preliminar: os objetos subtraídos somam R$ 23 mil em valor de mercado - e uma peça avaliada em R$ 17 mil ainda está desaparecida. Câmeras de segurança flagraram a ação, o que permitiu a identificação rápida do autor.

Quando a polícia chegou à sua cobertura, João Ricardo tentou fugir desesperadamente pelo terraço, mas foi capturado. No imóvel, os agentes encontraram três esculturas de cerâmica e um dos quadros furtados.

Até o momento, a defesa do ex-CEO não se manifestou.

Qual a folha corrida de João Ricardo?

O episódio atual não é um ponto isolado, mas um novo capítulo de uma história que mistura arrogância, irresponsabilidade e, agora, prática criminosa. Antes do furto, João Ricardo já acumulava um vasto passivo de processos por lesão a consumidores. Seu comportamento, frequentemente descrito como impulsivo e agressivo, o afastou do mercado e deteriorou sua imagem pública.

A escalada da derrocada revela um padrão: da irresponsabilidade empresarial ao descaso com normas básicas de convivência e, agora, à violação do Código Penal.

Em quais crimes ele pode ser enquadrado?

João Ricardo Mendes foi autuado em flagrante pelo crime de furto qualificado - uma tipificação mais grave, considerando que ele agiu de forma planejada, utilizando veículo (a motocicleta) para transportar os bens e tentando frustrar a ação policial.
Além disso, a utilização de uma moto sem placa poderá gerar agravantes administrativos e multas. Se confirmada a intenção de dificultar a identificação dos crimes, isso pode pesar ainda mais contra ele no processo.

A pena para furto qualificado pode chegar a oito anos de reclusão, além de multa.

Conclusão: a ruína anunciada

A prisão de João Ricardo Mendes marca a triste conclusão de uma trajetória que parecia promissora, mas foi corrompida pela soberba e pelo desprezo às normas legais e éticas. De empresário inovador a fugitivo em seu próprio terraço, Mendes encarna o retrato de uma decadência autoinduzida.

Seu caso serve de alerta: a impunidade empresarial - alimentada por leniência do mercado e descaso judicial em outros tempos - não impede que a conta, cedo ou tarde, chegue. E quando chega, transforma mitos empresariais em personagens de páginas policiais.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários