
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) subiu o tom nesta quarta-feira (24) ao acusar diretamente o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de contribuir para o agravamento do estado de saúde de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. A revolta veio após uma oficial de Justiça cumprir, dentro da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do hospital DF Star, uma intimação judicial contra o ex-presidente.
Bolsonaro havia se submetido a uma cirurgia para correção de hérnia abdominal - considerada a mais invasiva desde o atentado a faca sofrido em 2018 — e ainda se recuperava sob cuidados médicos intensivos. Segundo Flávio, a entrega do mandado foi feita apenas sete dias após o procedimento cirúrgico, sem qualquer sensibilidade à situação clínica do paciente.
“Querem matar meu pai!”, disparou o senador nas redes sociais, afirmando que o episódio representa um ato de “violência institucional”. Segundo ele, a presença de uma oficial de Justiça no ambiente hospitalar causou estresse e pressão que agravaram o quadro clínico do ex-presidente, levando a uma piora comprovada nos parâmetros médicos.
“No lugar onde ele mais precisava de paz, repouso e cuidados médicos, levaram estresse, pressão e violência institucional”, disse Flávio.
“Isso nunca aconteceu no Brasil. Nunca”, enfatizou.
A ordem de intimação judicial partiu do ministro Alexandre de Moraes e está relacionada à abertura da ação penal contra os supostos articuladores do núcleo central da tentativa de golpe de Estado em 2022, na qual Bolsonaro é investigado. A medida - embora legal - gerou polêmica por ter sido executada dentro de um leito de UTI, com o paciente ainda em recuperação delicada.
Em boletim divulgado nesta quinta-feira (25), o Hospital DF Star confirmou que Bolsonaro apresentou piora clínica, com elevação da pressão arterial e alteração nos exames laboratoriais hepáticos. Embora não relacione diretamente a piora à visita judicial, o boletim coincide com as declarações do senador.
A fala de Flávio Bolsonaro não apenas lança mais um ataque direto ao ministro Moraes - já figura central nas investigações contra o ex-presidente - como também reforça uma narrativa política que vem sendo utilizada por aliados do bolsonarismo: a de que Jair Bolsonaro estaria sendo perseguido institucionalmente.
A estratégia, amplamente explorada por apoiadores nas redes sociais, tenta deslocar o foco das investigações em curso para uma suposta violação de direitos humanos e abuso de poder por parte do Judiciário, sobretudo do STF.
Enquanto isso, Moraes mantém a linha dura no cumprimento dos procedimentos legais relacionados aos atos antidemocráticos. O ministro não se manifestou publicamente sobre o episódio, mas integrantes do Judiciário defendem que a intimação, mesmo em contexto hospitalar, é válida quando envolve ações penais com réus primários e quando o investigado está lúcido e consciente.
O caso acirra ainda mais a tensão entre os Poderes e reacende o debate sobre os limites da atuação judicial frente a circunstâncias médicas. Setores da oposição acusam Moraes de abuso, enquanto outros defendem que Bolsonaro não pode usar seu estado de saúde como escudo contra a Justiça.
Além disso, o episódio deve reacender debates no Congresso sobre supostos excessos do Supremo, sendo provável que aliados de Bolsonaro utilizem o caso como munição para pressionar por limites institucionais à atuação dos ministros da Corte - ou mesmo para impulsionar novas CPIs contra o Judiciário.
No tabuleiro político, a tensão entre o clã Bolsonaro e Moraes atinge um novo ápice. E, para muitos, a pergunta que paira é: até onde essa guerra institucional pode escalar - e com que consequências para a democracia brasileira?

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