
A palavra corrupção voltou a assombrar o noticiário político nacional - e mais uma vez, ela bate à porta do governo Lula. O escândalo da vez envolve um rombo bilionário no INSS, superior a R$ 6 bilhões, e levou à exoneração do presidente do órgão, Alessandro Stefanutto. A nova crise, porém, não surge como um ponto fora da curva: ela se insere num padrão histórico que há décadas compromete o entorno político do Partido dos Trabalhadores e de figuras ligadas à esquerda governista.
A pergunta que não quer calar: até quando?
É inevitável lembrar da Operação Lava Jato, dos bilhões desviados dos cofres da Petrobras, das delações premiadas e dos presidentes do PT que, um a um, foram presos, indiciados ou investigados. O nome de Lula, inclusive, não esteve imune a essas denúncias. Seu histórico de proximidade com aliados envolvidos em esquemas de corrupção é extenso, e os casos seguem acumulando.
Agora, no centro do furacão, está novamente a máquina pública - desta vez, o sistema de aposentadorias e pensões. O suposto esquema fraudulento, ainda sob investigação da Polícia Federal, envolve concessões irregulares de benefícios e indica favorecimento pessoal dentro da autarquia. A quantia desviada assusta: mais de R$ 6 bilhões. Dinheiro que deveria estar no bolso de aposentados, pensionistas, trabalhadores que contribuíram por décadas com a previdência pública. Dinheiro que, no fim, evaporou - engolido por um sistema que parece insistir em repetir os mesmos vícios.
A exoneração de Stefanutto veio como uma tentativa de contenção de danos. Mas e Carlos Lupi? O ministro da Previdência, superior hierárquico do exonerado, é velho conhecido dos escândalos. Em 2011, caiu do cargo após uma avalanche de denúncias: convênios suspeitos com ONGs, uso de avião de empresário favorecido por sua pasta, e a revelação de que acumulava cargos de forma irregular. Lupi, aliás, foi assessor fantasma na Câmara dos Deputados, segundo denúncia da época. Nada disso o impediu de voltar ao centro do poder no governo Lula 3.
Por quê?
Talvez porque a impunidade, no Brasil, seja o melhor currículo político. Lupi voltou, como voltaram tantos outros. E Lula, que prometeu um governo técnico, ético e renovador, parece cada vez mais cercado por nomes que contradizem esse discurso.
Não é a primeira vez que Lula se vê diante da necessidade de reagir a um escândalo em seu ministério. Juscelino Filho, exonerado da pasta das Comunicações, saiu após pressão pública. Mas a regra não é a demissão - é a blindagem. E a dúvida permanece: Lupi seguirá intocável mesmo diante de um escândalo de proporções bilionárias?
É importante lembrar que esse novo capítulo da velha novela da corrupção não está apenas ligado a nomes e cargos. Ele toca diretamente o bolso do cidadão comum. Aquele que paga impostos, que espera aposentadoria, que vive numa economia frágil. A sensação de que o fruto do trabalho honesto está sendo corroído por fraudes e esquemas só aprofunda o descrédito com o Estado.
A popularidade de Lula já começa a sofrer os efeitos. O discurso de que “não sabia” já não convence como antes. E a imagem de estadista começa a ceder lugar à do líder que revive as práticas do passado, com os mesmos aliados e os mesmos silêncios estratégicos.
Fora do Brasil, Lula também coleciona decisões controversas. A mais recente envolve o acolhimento de uma ex-primeira-dama condenada por corrupção e lavagem de dinheiro. Uma escolha diplomática que irritou o Congresso e reacendeu críticas à política externa do Planalto - sempre tolerante com regimes autoritários e aliados duvidosos.
Enquanto isso, o ministro da Fazenda garante que não há risco de recessão. Mas a realidade nas ruas, nas filas do INSS, nas pesquisas de opinião e nas contas das famílias brasileiras, parece dizer o contrário.
O programa Café com a Gazeta do Povo desta quinta-feira, 24, discutiu o retorno da corrupção ao centro da agenda política nacional. Não porque ela tenha voltado - mas porque talvez nunca tenha saído.
E a pergunta que se impõe agora é inevitável: qual será a postura de Lula diante de mais um escândalo em seu governo? Vai agir como estadista ou como chefe político em modo de sobrevivência? Vai exonerar Lupi - ou proteger, como sempre fez?
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