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Política O OCASO DO LULISMO

A verdade dos números: Lula desaba nas pesquisas e governo entra em colapso de credibilidade

Popularidade do presidente atinge pior nível desde 2023; marketing não convence, economia sufoca e brasileiros perdem a paciência

23/04/2025 às 08h22
Por: Douglas Ferreira
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Lula luta para reverter a impopularidade e descrédito sem êxito - Foto: Reprodução
Lula luta para reverter a impopularidade e descrédito sem êxito - Foto: Reprodução

Não adianta rebocar a fachada se o alicerce está podre. A nova pesquisa do Instituto Paraná Pesquisas confirma aquilo que os brasileiros já sentem no bolso e no cotidiano: o governo Lula 3 entrou em processo acelerado de desgaste - e a recuperação parece cada vez mais improvável. A aprovação do petista desabou para 39,2%, o menor índice desde o início de seu terceiro mandato. A desaprovação, por outro lado, disparou para 57,4%.

Não se trata apenas de números frios, mas de um retrato brutal da frustração popular com um governo que prometeu reconstrução e justiça social, mas entregou inflação, desemprego e instabilidade econômica. Em outras palavras, o marketing pode insistir em narrativas positivas, mas o povo vive outra realidade.

O governo que pesa - e pesa mal

A percepção de que o governo Lula não tem um norte fiscal claro, não combate a inflação com eficácia e falha na geração de empregos tem ganhado corpo mesmo entre antigos eleitores. Desde o fim de 2023, os sinais econômicos deixaram de ser apenas alertas técnicos e passaram a ser experiências diretas: o gás voltou a subir, a cesta básica encareceu, o aluguel disparou - e o salário segue estagnado.

O mercado sente isso. O dólar permanece instável, com viés de alta, e a insegurança fiscal faz investidores hesitarem. Sem uma política firme de controle de gastos, as sinalizações do governo aos agentes econômicos parecem vagas e contraditórias. Fala-se em responsabilidade, mas ao mesmo tempo se acena com benesses que ameaçam o teto de gastos.

Marketing não segura a sangria

Lula tentou recorrer ao que sempre o salvou: a retórica. Campanhas de comunicação foram intensificadas. Reuniões com influenciadores, vídeos emotivos, slogans e promessas foram distribuídos como panfletos em praça pública. Mas, desta vez, a estratégia fracassou. Por quê?

Porque não há narrativa que se sustente quando a realidade contraria a palavra oficial. A paciência do povo, especialmente da classe média empobrecida e do eleitorado do Norte e Centro-Oeste, esgotou. Mesmo no reduto tradicional do petismo, o Nordeste, a diferença entre aprovação e reprovação caiu para apenas 5 pontos percentuais - o menor patamar histórico para Lula na região.

De herói popular a gestor reprovado

A curva descendente da popularidade do presidente impressiona: de 54,3% de aprovação em agosto de 2023, para 39,2% em abril de 2025. Não é uma oscilação, é uma tendência clara de derretimento político. E a explicação, segundo especialistas, não está em ataques da oposição, em “fake news” ou em complôs institucionais. Está no próprio governo.

Como resumiu um analista político: “o problema não é a comunicação do governo, é o governo”. Um governo paralisado por disputas internas, sem plano claro para a economia, com ministros fracos e decisões que ignoram o pragmatismo exigido pelo cenário atual.

Lula pode se recuperar?

A pergunta que ronda Brasília agora é: Lula ainda tem tempo de virar esse jogo? Tecnicamente, sim. Politicamente, a resposta é mais sombria. Para reverter a curva, seria necessário um realinhamento radical da política econômica, uma guinada administrativa, um choque de gestão - tudo o que o petismo até agora resistiu em fazer.

E mesmo que tentasse, Lula enfrentaria um Congresso hostil, um mercado desconfiado e uma base social cansada. A promessa de “terceiro mandato transformador” começa a se tornar um fardo.

A quem interessa o fracasso?

Enquanto o governo desmorona em popularidade, a oposição esfrega as mãos. Nomes como Tarcísio, Zema e até o próprio Bolsonaro (a depender de seu futuro jurídico) já se movimentam para ocupar o vácuo de liderança. E a centro-direita, se reorganizando, espera ansiosamente por uma terceira via viável.

O colapso da imagem de Lula não é apenas uma crise do PT - é uma reconfiguração do tabuleiro político nacional. Se o governo não recuperar rapidamente credibilidade, será lembrado não como o “retorno do pai dos pobres”, mas como o crepúsculo daquele que já foi chamado de "o cara".

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