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Brasil UM CASO SURREAL

Marisvaldo, o ciclista desaparecido, é encontrado três anos depois na Costa Rica

Diagnosticado com esquizofrenia, baiano saiu para pedalar em 2022 e cruzou continentes sem documentos; será repatriado com apoio do Itamaraty e reencontrará a família após anos de incertezas

21/04/2025 às 08h59 Atualizada em 21/04/2025 às 09h02
Por: Douglas Ferreira
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Marisvaldo dos Santos - Foto: Reprodução
Marisvaldo dos Santos - Foto: Reprodução

Por quase três anos, o silêncio em torno do desaparecimento de Marisvaldo dos Santos Silva foi ensurdecedor. Em junho de 2022, o baiano de Camaçari saiu da casa do irmão para pedalar e nunca mais voltou. A bicicleta sumiu com ele, e o que se seguiu foi um drama vivido por milhares de famílias brasileiras: a angústia de um desaparecimento sem pistas, sem rastros, sem despedidas.

A diferença, neste caso, é que Marisvaldo foi encontrado - e a mais de 5 mil quilômetros de casa. O paradeiro do ciclista de 32 anos, diagnosticado com esquizofrenia, só foi revelado recentemente, quando ele tentou entrar na Costa Rica sem documentos e foi abordado pela imigração local. A Polícia Federal brasileira foi acionada, cruzou informações e confirmou a identidade: era mesmo o brasileiro desaparecido desde 2022.

A revelação deixou a família entre a incredulidade e o alívio. Marisvaldo havia sobrevivido por quase três anos, aparentemente cruzando fronteiras e países, com pouco ou nenhum recurso. O Ministério das Relações Exteriores confirmou que está coordenando o processo de repatriação, e o reencontro com a família deve acontecer nos próximos dias. Segundo informações do portal g1, ele desembarcará no Aeroporto de Guarulhos neste domingo (20) e, de lá, seguirá de ônibus até a Bahia.

A jornada de Marisvaldo ainda está envolta em mistério. Ninguém sabe exatamente por onde ele passou, como se alimentou, onde dormiu ou como escapou de situações de risco. Mais intrigante ainda é o fato de ter conseguido, mesmo sem documentos, atravessar tantos territórios — o que levanta questões sobre o controle migratório e sobre o impacto da esquizofrenia em sua percepção da realidade.

Não é a primeira vez que ele desaparece. Em 2020, já havia deixado a casa da família de bicicleta e foi encontrado dias depois no Espírito Santo. Mas, desta vez, a distância, o tempo e o silêncio foram maiores.

A mãe, Maria dos Santos, de coração apertado por anos de incerteza, recebeu a notícia com lágrimas e esperança. “Agora o mais importante é saber que ele está bem”, disse, em entrevista à TV Bahia. O irmão, que o viu pela última vez em 2022, também tenta entender como uma simples volta de bicicleta se transformou em uma epopeia continental.

A volta de Marisvaldo ao Brasil deve marcar o início de uma nova etapa: ele precisará de cuidados médicos, acompanhamento psicológico e estabilidade. A pergunta que agora inquieta a família não é mais “onde ele está?”, mas “como ajudá-lo daqui para frente?”.

A história, que mistura dor, resistência e quase um milagre, chama atenção para um problema crônico: o descaso com a saúde mental e o abandono de pessoas vulneráveis. Marisvaldo foi encontrado, mas quantos outros ainda estão pedalando rumo ao desconhecido?

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