
A Câmara Municipal de Teresina instalou nesta terça-feira (8) uma Comissão de Ética e Decoro Parlamentar para analisar o caso da vereadora Tatiana Medeiros, presa e afatada de suas funções parlamentarese, desde a última quinta-feira (3), durante a segunda fase da Operação Escudo Eleitoral, da Polícia Federal. A parlamentar é investigada por suposto envolvimento com financiamento de campanha por meio de recursos oriundos de facção criminosa.
A iniciativa de criação da comissão partiu do vereador Pedro Alcântara do Nascimento (Progressistas), que protocolou um requerimento em regime de urgência pedindo a apuração do caso pela Casa. O pedido foi acatado pela Mesa Diretora, diante da gravidade do episódio e do ineditismo da situação.
A Comissão de Ética será composta por quatro parlamentares:
João Pereira (PT)
James Guerra (Avante)
Pedro Alcântara (Progressistas)
Samantha Cavalca (Progressistas)
O objetivo da comissão é avaliar se houve quebra de decoro parlamentar por parte de Tatiana Medeiros. Para isso, o colegiado deve solicitar à Justiça Eleitoral e à Polícia Federal todos os dados, provas e informações relativas ao processo judicial em que a vereadora figura como investigada.
Segundo o vereador Pedro Alcântara, o grupo irá conduzir um estudo jurídico e político minucioso sobre o caso. “Trata-se de uma situação sem precedentes na história da Câmara de Teresina. Nunca tivemos um parlamentar preso preventivamente e afastado judicialmente de suas funções por 60 dias. É preciso cautela e responsabilidade institucional”, afirmou.
Embora a comissão não tenha poder para determinar por si só a cassação imediata da parlamentar, ela possui competência para:
Emitir um parecer final sobre a manutenção ou não do mandato;
Recomendar a cassação ou a preservação do mandato ao plenário da Câmara;
Determinar sanções disciplinares, como censura ou suspensão.
A decisão não é terminativa, mas possui peso político e técnico substancial, já que pode embasar a votação do plenário, que tem a palavra final em caso de cassação de mandato. Para que a cassação ocorra, é necessário o voto favorável de dois terços dos vereadores.
O caso de Tatiana Medeiros é considerado singular e sem precedentes. A prisão preventiva e o afastamento simultâneo por decisão judicial criaram uma lacuna normativa que exige análise minuciosa. A Câmara agora vive um impasse: como agir diante de uma ausência forçada que compromete o exercício pleno do mandato, mas ainda sem condenação judicial transitada em julgado?
Essa ambiguidade entre o jurídico e o político torna o trabalho da comissão ainda mais delicado.
A Comissão deve se reunir nos próximos dias para definir um calendário de atividades, que inclui:
Pedido formal de acesso aos autos do processo da Polícia Federal;
Oitiva de testemunhas, caso necessário;
Elaboração e votação do relatório final.
O desfecho pode alterar a composição do Legislativo municipal, além de abrir um precedente importante sobre como o poder legislativo reage institucionalmente a casos de suspeita de envolvimento de parlamentares com o crime organizado.
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