
A possível migração do ex-senador e ex-prefeito de Parnaíba, Francisco de Assis Moraes Sousa, o Mão Santa, para o Partido Liberal (PL), tem provocado movimentações intensas nos bastidores da política piauiense. O movimento, articulado por Tiago Junqueira, novo presidente do diretório estadual do PL, vai além de um simples ato de filiação: representa um passo estratégico rumo à consolidação de uma frente bolsonarista coesa no Estado.
Desde que assumiu o comando do PL no Piauí, Junqueira tem afirmado que seu principal objetivo é transformar o partido no principal reduto do conservadorismo raiz e do bolsonarismo autêntico. Para isso, o empresário tem investido em diálogos com lideranças locais que já se identificam com os valores defendidos pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. Nesse contexto, Mão Santa surge como uma figura emblemática, não apenas pela longevidade de sua trajetória política, mas por sua postura anti-establishment e seu histórico de alinhamento a pautas conservadoras.
Em entrevista recente, Junqueira disse que "seria uma honra" contar com o ex-senador nos quadros do PL. “Quero muito conhecê-lo e conversar pessoalmente com ele, para falar das minhas ideias e pedir conselhos. Ainda não marcamos essa agenda, mas espero que seja em breve”, declarou.
Impacto nos quadros conservadores de outros partidos
A eventual filiação de Mão Santa ao PL não deve se restringir a um ganho individual de capital político. Seu ingresso pode provocar um rearranjo nas fileiras do bolsonarismo piauiense, atualmente fragmentado entre partidos como Progressistas, União Brasil, Republicanos e até o próprio MDB - siglas que, embora formalmente distantes da direita-conservadora, abrigam parlamentares com discurso fortemente alinhado ao bolsonarismo.
A filha de Mão Santa, a deputada estadual Gracinha Moraes Sousa (PP), é uma dessas lideranças. Embora assediada por partidos da base aliada ao governo estadual, como o MDB, a permanência no campo conservador ao lado do pai é vista por analistas como uma possibilidade real. Caso Gracinha também se filie ao PL, o partido ganharia não apenas visibilidade, mas força legislativa e densidade eleitoral no litoral e norte do Estado, onde os Moraes Sousa têm base sólida.
A entrada de Mão Santa e, potencialmente, de Gracinha, pode funcionar como catalisador para outros nomes bolsonaristas que hoje se sentem deslocados em legendas moderadas ou em crise de identidade ideológica. Há expectativa de que lideranças municipais e até vereadores e deputados com perfil mais conservador reconsiderem suas posições partidárias diante da nova configuração do PL.
Caminho para 2026 e a disputa no campo da direita
Com a perspectiva de fortalecimento do PL no Piauí, o partido se posiciona como a principal sigla da oposição ao governo estadual, hoje dominado pelo PT e seus aliados. A intenção de Junqueira é clara: montar uma chapa forte para a Assembleia Legislativa, Câmara Federal e para o Senado em 2026, com nomes de peso e, sobretudo, com discurso afinado com o bolsonarismo de raiz.
A chegada de Mão Santa traria ainda um simbolismo importante: o reencontro do bolsonarismo piauiense com uma de suas figuras mais genuínas no discurso conservador, anti-esquerdista e avesso ao politicamente correto. O PL poderia, enfim, deixar de ser uma sigla de aluguel para se tornar a verdadeira casa do conservadorismo no Piauí.
Caso a movimentação se concretize, a disputa entre os partidos da direita e centro-direita ganhará novos contornos, com o PL assumindo protagonismo no embate pela hegemonia do campo conservador piauiense. A filiação de Mão Santa seria, portanto, mais do que uma simples assinatura de ficha partidária — seria o estopim para uma reorganização política com efeitos duradouros.
PESQUISA ELEITORAL Bolsa Família deixa de ser unanimidade e acende sinal de alerta para Lula
JAIR BOLSONARO Flávio acusa Moraes de tentar interferir nas eleições após suspensão de visitas a Bolsonaro
PESQUISA VERITÁ Ciro Nogueira amplia vantagem e lidera corrida pelo Senado no Piauí, aponta pesquisa Mín. 20° Máx. 38°