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Recrutadores enfrentam dificuldades com currículos gerados via Chat-GPT

Um aumento significativo na quantidade de inscrições genéricas, muitas vezes escritas de maneira semelhante e repletas de palavras-chave, o que torna o processo de seleção mais complicado.

16/08/2024 às 14h52
Por: Wagner Albuquerque
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Foto: Reprodução
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Recrutadores estimam que até 50% dos currículos que recebem atualmente são gerados por ferramentas de inteligência artificial, como o ChatGPT e o Gemini. Essa estimativa foi revelada pelo *Financial Times* após conversas com profissionais do setor e análises recentes. O resultado? Um aumento significativo na quantidade de inscrições genéricas, muitas vezes escritas de maneira semelhante e repletas de palavras-chave, o que torna o processo de seleção mais complicado.

Segundo Victoria McLean, da consultoria de carreira CityCV, os currículos criados por IA são facilmente identificáveis devido à escrita desajeitada e à falta de personalização. “Um bom currículo deve refletir a personalidade, as paixões e a trajetória do candidato, algo que as IAs ainda não conseguem captar adequadamente,” afirma McLean. Essa falta de autenticidade nos currículos dificulta a avaliação dos candidatos e a escolha dos melhores para cada vaga.

O uso crescente de ferramentas como o ChatGPT também impactou a qualidade do material enviado. Khyati Sundaram, diretora-chefe da plataforma de recrutamento Applied, relata que, apesar do aumento no volume de inscrições, a qualidade diminuiu, tornando o processo de triagem mais desafiador. "Estamos enfrentando um volume maior de inscrições, mas com uma qualidade mais baixa, o que torna mais difícil filtrar os candidatos adequados," explica Sundaram.

Além dos currículos, candidatos têm utilizado a IA até mesmo para responder a tarefas de avaliação, copiando e colando perguntas no ChatGPT e inserindo as respostas diretamente nos formulários de inscrição. Sundaram observa que essa prática reduziu a “barreira de entrada” para os candidatos, permitindo que mais pessoas passem pelas etapas iniciais de seleção, mesmo sem um nível adequado de qualificação.

Uma pesquisa realizada pela empresa Neurosight, especializada em recursos humanos, revelou que 57% dos estudantes entrevistados no Reino Unido já recorreram ao ChatGPT na busca por empregos. A pesquisa também identificou que aqueles que utilizam a versão Plus do ChatGPT, que custa US$ 20 mensais, têm mais facilidade em passar nos testes de seleção. Diante dessa nova realidade, especialistas como Ross Crook, da agência de recrutamento Morgan McKinley, sugerem que a solução para manter a qualidade do processo seletivo é reforçar a importância das entrevistas presenciais, onde a interação humana ainda prevalece sobre as respostas automatizadas.

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