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Brasil CRISE DIPLOMÁTICA?

Escândalo de espionagem: Paraguai suspende negociações de Itaipu após denúncia contra Abin

Funcionário da agência afirma que atual gestão manteve invasões hacker a sistemas paraguaios para obter dados sigilosos

03/04/2025 às 07h13 Atualizada em 05/04/2025 às 08h30
Por: Wagner Albuquerque
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Embaixador do Brasil no Paraguai se reúne com autoridades do país para tratar de denúncia de monitoramento da Abin — Foto: Divulgação
Embaixador do Brasil no Paraguai se reúne com autoridades do país para tratar de denúncia de monitoramento da Abin — Foto: Divulgação

A negociação entre Brasil e Paraguai sobre o Anexo C do Tratado de Itaipu foi suspensa após uma denúncia de espionagem contra a Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Um funcionário do órgão afirmou à Polícia Federal que a atual gestão manteve operações de invasão hacker a sistemas do governo paraguaio, incluindo o Congresso e a Presidência da República. A ação teria o objetivo de acessar informações sigilosas sobre os valores em negociação para a comercialização da energia da usina binacional.

Diante da acusação, o governo do Paraguai classificou o caso como “delicado” e convocou o embaixador brasileiro, José Antônio Marcondes, para prestar esclarecimentos. O chanceler Rubén Ramírez cobrou explicações detalhadas sobre a suposta operação conduzida pela Abin. O ministro da Indústria e Comércio do Paraguai, Javier Giménez García de Zúñiga, confirmou a suspensão das tratativas do Anexo C até que a questão seja esclarecida.

O depoimento do funcionário da Abin aponta que o monitoramento teria começado no governo Bolsonaro e continuado durante a gestão Lula, com aval do atual diretor do órgão, Luiz Fernando Corrêa. Em nota, o governo Lula afirmou que interrompeu a ação em março de 2023, assim que teve conhecimento da prática. A Polícia Federal abriu um inquérito para investigar um possível vazamento de informações sobre a suposta estrutura paralela dentro da agência de inteligência.

A revisão do Anexo C do Tratado de Itaipu é um dos pontos centrais da relação entre Brasil e Paraguai. O acordo define as regras para a comercialização da energia gerada pela usina, e a renegociação pode permitir ao Paraguai vender o excedente no mercado livre. O impasse gerado pela denúncia ameaça o avanço das tratativas e pode impactar diretamente o setor energético dos dois países.

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