
A expressão "o coração tem razões que a própria razão desconhece" pode até ser válida para decisões pessoais, mas quando aplicada às ações de governo, especialmente em uma gigante como a Petrobras, essa filosofia pode resultar em desastres. Infelizmente, essa tem sido a realidade da petroleira brasileira, que, ao longo dos anos, tem repetidamente contrariado a lógica econômica e estratégico-financeira, acumulando erros que custaram caro ao país e ao seu povo.
Lembrando um dos episódios mais controversos, a compra da refinaria de Pasadena, no Texas, vem à mente. Aquela transação, repleta de falhas de análise e má-fé, resultou em uma perda de mais de R$ 1 bilhão. A refinaria, que deveria ser um ativo estratégico, revelou-se nada mais que um amontoado de sucata. Esse fiasco foi um dos marcos que evidenciou a falta de critério e transparência nas decisões da estatal.
Hoje, parece que a história se repete. Após um período de superávits e resultados positivos, a Petrobras registrou um prejuízo de R$ 2,6 bilhões no segundo trimestre de 2024. Esse resultado negativo é, em grande parte, consequência de efeitos contábeis, como o acordo para quitar dívidas tributárias de R$ 20 bilhões com a União. Mas o que chama a atenção é a persistência em decisões que desafiam a lógica econômica.
Um exemplo claro é a reativação da fábrica de fertilizantes Araucária Nitrogenados (Ansa), em Araucária, Paraná. Mesmo com um histórico de prejuízos e uma operação que gerava mais lucro quando estava parada, a Petrobras decidiu investir R$ 870 milhões para retomar as atividades. Essa decisão levanta sérios questionamentos sobre sua viabilidade e necessidade.
Num momento em que o valor da gasolina e óleo diesel encontra-se numa escalada 'everestiana' com elevaçãoa de preços na bomba praticamente diários, o governo insiste em investir em algo que poderá resultar em mais uma daquelas aventura que custaram bilhões à petroleira e ao povo brasileiro.
O presidente Lula celebra início da retomada da Ansa, que deverá gerar 2 mil empregos no Paraná. A Fábrica de Fertilizantes vai operar a partir do segundo semestre de 2025. Petrobras ainda investirá R$ 3,2 bilhões na Repar.
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