
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pode visitar o Piauí em julho para inaugurar uma ponte sobre o Rio Parnaíba, ligando os municípios de Ribeiro Gonçalves (PI) e Tasso Fragoso (MA). A informação foi confirmada pelo superintendente do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) no estado, Ribamar Bastos. No entanto, a obra em questão foi anunciada ainda no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), quando da inauguração da Ponte Lucídio Portela, no município de Santa Filomena, em 2022.
A obra foi iniciada ainda no governo Bolsonaro e só foi possível graças à iniciativa de dois senadores do Piauí: Ciro Nogueira e Elmano Férrer. O "véim trabalhador", então senador, destinou R$ 13 milhões para a construção da ponte. "E ainda convenci o senador Ciro Nogueira, que também destinou R$ 10 milhões", destaca Elmano Férrer.
Segundo Bastos, a inauguração está na pré-agenda do presidente, que manifestou interesse em comparecer à entrega. O convite foi feito pelo ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Wellington Dias. No entanto, a visita de Lula ao estado levanta questionamentos sobre a escassez de novas obras federais no Piauí, já que, após mais de dois anos de governo, o petista tem pouco ou nada de concreto para entregar na região.
A ponte da BR-330, com 122 metros de comprimento e quase quatro quilômetros de vias de acesso, é uma demanda antiga do agronegócio local e facilitará o escoamento de grãos do cerrado piauiense para o Porto de Itaqui, no Maranhão. Contudo, sua inclusão na agenda de Lula ocorre num momento em que o governo federal tem dificuldade em apresentar investimentos próprios no estado. O Piauí, que historicamente tem sido um dos redutos petistas no Nordeste, ainda aguarda ações mais expressivas da gestão atual em infraestrutura e desenvolvimento.
Além da ponte herdada do governo anterior, o DNIT confirmou a assinatura de licitações para a duplicação das BR-316 e BR-343 em abril. A duplicação da BR-343, no trecho entre Teresina e Altos, e da BR-316, entre Demerval Lobão e Monsenhor Gil, são reivindicações antigas da população e do setor produtivo, mas só agora os projetos executivos foram aprovados e os processos de licitação iniciados. Segundo Bastos, as assinaturas ocorrerão nos dias 8 e 12 de abril, e as obras devem começar até julho.
Na prática, Lula chega ao segundo semestre de seu segundo ano de mandato sem entregas significativas no Estado e, ao que tudo indica, tentará transformar a inauguração de uma obra da gestão anterior em vitrine para seu governo. Enquanto isso, o Piauí segue carente de investimentos estruturais de impacto, aguardando a execução de promessas que, até agora, ficaram no discurso.
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